quinta-feira, 31 de julho de 2008

Armário sem Portas


de Karla Lima e Pya Pêra

páginas - 260

Pois bem, muito diferente da literatura mulherzinha, algo entre o corajoso, compromissado, leve e verdadeiro. A história real do relacionamento de Karla e Pya. Ao final do livro você deverá se sentir intimo desse casal que chegou à conclusão de que "jogar confete entope o ralo!" Boa leitura!

"Amor e humor para Gs, Ls e Ss

Armário sem Portas é um livro a um só tempo particular e universal. Particular por escancarar a vida das autoras, as homossexuais Karla Lima e Pya Pêra, e universal pelo que contém de humor e sensibilidade.

Em seu livro de estréia, o casal passa longe da auto-ajuda e dos romances trágicos, estilos abundantes no mercado editorial GLS brasileiro. Embora alguns capítulos abordem temas mais engajados como visibilidade, política e preconceito, o foco desta autobiografia é a comicidade.

Crônicas curtas e leves despertam o riso fácil em leitores de qualquer orientação sexual, graças às diferenças que Karla e Pya têm de história de vida, gostos e temperamento: enquanto uma descende de alemães, teve um marido, mede mais de 1,70m e faz o estilo intelectualizado, sem nenhum pendor esportivo, a outra é japonesinha, gay desde bebê, uma ex-atleta que adora samba e escolhe o celular conforme a capacidade da agenda de telefones!

Despretensioso e concebido originalmente para divertir as próprias autoras, Armário sem Portas provoca reflexão sem agredir o mundo e simpatia sem vitimizar os homossexuais. Uma obra irreverente e ágil, indicada não apenas para a comunidade GLS, mas para todos que apreciam dar boas risadas com um delicioso livro de lavabo.

Karla Lima nasceu em 1971, foi publicitária e estuda Jornalismo. Sonhava escrever um livro desde os 15 anos. Pya Pêra, empresária, consultora, musicista e fotógrafa, nunca tinha pensado nisso."


Em Curitiba você encontra Armário sem portas no JOAQUIM

Pelo Brasil ou para compra direta consulte www.armariosemportas.com.br


GIRLS WHO GOSSIP - AS PATRICINHAS CONTA-ATACAM



de Theresa Alan

Páginas - 294

Elas dizem que fazem Chick Lit, mas cá entre nós, é literatura mulherzinha mesmo. Consuma e descarte!

Helaina Merrill tem vinte anos e vive uma situação de dar nó na cabeça de qualquer um. Ela divide um pequeno apartamento e uma geladeira quase vazia – a não ser pelas quentinhas – com duas amigas em Manhattan, onde cursa faculdade de cinema. Ali, a vida é dura: qualquer cafezinho é capaz de estourar o orçamento, e todos lutam para conseguir destaque no que fazem. Porém, a vários quilômetros de distância, no Colorado, vive o pai de Helaina, Gary Denner, um empresário muito bem- sucedido – tão rico quanto Bill Gates e tão inacessível quanto o papa – com quem a moça nunca teve uma boa relação. Enfim, Helaina leva uma verdadeira vida dupla. Mas seu destino tomará um rumo inesperado a partir do momento em que, sem qualquer pretensão de se envolver com o mundo dos negócios (cruz-credo!), ela decide aproveitar as férias para tentar se reaproximar do pai. E assim tem início o divertido Girls who gossip, de Theresa Alan, um romance escrito de mulherzinha para mulherzinhas.

UM LANÇAMENTO DA

SIMON BOLIVAR POR KARL MARX



BIOGRAFIAS
por KARL MARX
Um livro mais que oportuno nestes tempos de Evos e Chaves ( não o do sem querer querendo) onde poucos sabem se estão contando a nossa história certo.

"Libertador" ou ditador obscurantista? É com uma descrição de "personagem medíocre e grotesco" a representar papel de herói que Marx compõe este seu ensaio sobre Simón Bolívar. Os fatos arrolados por Marx e narrados de forma dinâmica e conseqüente são históricos, mas terá Bolívar servido à democracia e ao antiimperialismo? Cabe seu retrato entre os estudantes e os operários de Caracas hoje? Este texto de Marx, descoberto em 1935, é publicado pela primeira vez no Brasil.

UM LANÇAMENTO DA

XIII Semana de História – Cinema e História

Tema: 1968

De 4 a 6 de agosto de 2008

Na Cinemateca de Curitiba

Promoção:

Universidade Tuiuti do Paraná/UTP

Cinemateca de Curitiba

Entrada franca

Dia 4, às 19h:

Palestra com a Professora Dra. Ana Maria Burmester - UFPR.

Às 21h:

BARRA 68 (Brasil, 2001). Duração 80’. Direção de Vladimir Carvalho. A luta de Darcy Ribeiro nos anos 60 para criar e implantar a Universidade de Brasília e as repetidas agressões sofridas pela UNB após já estar concluída, desde o golpe militar até os acontecimentos de 1968, quando foram detidos numa quadra de esportes cerca de 500 estudantes.

Dia 5, às 19h:

Palestra com o Professor José A. Vasconcelos – UTP/USP.

Às 21h:

OS ONZE DE CURITIBA, TODOS NÓS (BR/PR, 1995). Duração 50’. Direção de Valêncio Xavier. No ano de 1978 em Curitiba, um grupo de destacados intelectuais curitibanos, que combatiam a ditadura militar, é preso e humilhado, sob a acusação de “incutir” marxismo em crianças de uma conhecida escola infantil da cidade. Filme clássico do documentário paranaense.

Dia 6, às 19h:

Palestra com o Professor Dr. Marcos Napolitano – USP.

Às 21h:

HÉRCULES 56 (Brasil, 2007). Duração 94’. Direção de Silvio Da-Rin. Documentário. Na Semana da Independência, de 1969, o embaixador americano no Brasil, Charles Burke Elbrick, foi seqüestrado. Em sua troca foi exigida a divulgação de um manifesto revolucionário e a libertação de 15 presos políticos, que representam diversas tendências políticas que se opunham à ditadura militar. Banidos do território nacional e com nacionalidade cassada, eles são levados ao México no avião da FAB Hércules 56. Através de entrevistas com os sobreviventes, os fatos desta época são relembrados.

A NOITE PASSADA SONHEI COM A PAZ


O Diário de Dang Thuy Tram
de Dang Thuy Tram

Páginas - 268

Dang Thuy Tram tinha apenas 24 anos quando, em dezembro de 1966, deixou a casa dos pais – uma remediada família de Hanói – rumo ao sul do país, até a pequena aldeia de Quang Ngai, para trabalhar como médica voluntária durante a Guerra do Vietnã. Quatro anos depois, a jovem foi morta, com um tiro na testa, por soldados norte-americanos durante uma das inúmeras ofensivas à inóspita região, conhecida como baluarte da guerrilha comunista. Junto ao corpo, foi encontrado um rádio, um registro contábil de arroz, anotações sobre os ferimentos que tratou, frascos de remédio e ataduras, poemas e um diário. Escrito ao longo de dois anos, de 1968 a 1970, o caderno sobreviveu à guerra pelas mãos de um funcionário do governo americano e permaneceu inédito por mais de 40 anos. É esta história de amor incondicional de uma jovem idealista à pátria, à família e à vida que vem à tona agora, com o lançamento de A noite passada sonhei com a paz.

O livro começa um ano depois de Thuy chegar ao hospital de campanha da Frente de Libertação Nacional – o diário com as anotações sobre os doze primeiros meses da jovem no sul se perdeu. Lá, em meio a aldeias arrasadas por intensos bombardeios, Thuy era a única responsável por gerenciar a clínica, tratar dos feridos e dar aulas aos aspirantes à medicina, ainda mais jovens que ela, a quem tratava como irmãos. Ela também participava ativamente das reuniões do partido comunista, do qual aspirava se tornar uma líder ativa. As anotações do diário foram feitas nos intervalos entre as diversas atividades da jovem médica, em enfermarias, trincheiras e abrigos subterrâneos.

A questão pública e a aspiração pessoal da jovem Thuy Tram se misturam a cada página de seu diário. Ela confessa que partiu para Quang Ngai "atendendo ao chamado do país e do amor". Profundamente idealista, muitas vezes ingênua, a jovem afirma que se alistou como voluntária para ficar mais próxima de sua grande paixão – o jovem M., de quem não se sabe o nome, seis anos mais velho que ela, chefe de um grupo responsável pela instalação de minas. Os passos de M. serviram de modelo para a escolha política de Thuy ela se esforçou para fazer parte do Partido Comunista e viver de forma patriótica, até o fim de sua curta vida.

Em seu diário, Thuy salta da análise política para observações pessoais, da confissão para a reflexão. O tom e o ritmo da narrativa acompanham suas mudanças de ânimo e humores. Ela usa belas metáforas para descrever a dor da perda em meio à guerra – "a vida se estende diante de mim em mil pedaços de amor, esperança e inveja". Faz avaliações duras, muitas vezes injustas, sobre suas próprias fraquezas: - ‘ah, Thuy, sua garotinha! Você ainda é uma criança, você deixa que os sentimentos se sobreponham à razão’. Logo depois, ela tenta se animar e escreve palavras de encorajamento para ela própria: – "permaneça calma e firme sabendo que está certa".

Com o acirramento dos conflitos, em abril de 1969, o tom dos relatos se torna ainda mais emocionado. A morte se aproxima por todos os lados. As perdas humanas aumentam. Thuy, a equipe e os pacientes são obrigados a deixar a clínica. A partir daí, ela e seus companheiros de trabalho passam a se deslocar com freqüência, sem encontrar um local seguro para instalar o hospital de campanha. Em 2 de junho de 1970, a clínica provisória montada nas montanhas é bombardeada. Todos deixam o local no dia seguinte, exceto Thuy, três enfermeiras e cinco pacientes gravemente feridos. A partir daí, começa a contagem regressiva para a salvação, que mais parece um devaneio, de tão improvável. A vida de Thuy dura apenas mais alguns dias.

Os documentos e pertences de Thuy foram recolhidos pelo exército americano e salvos da fogueira pelo jovem advogado Fred Whitehurst, que, à época, trabalhava no serviço de inteligência militar na base de Duc Pho. Desobedecendo às regras, ele guardou o diário de Thuy por 40 anos. Só em 2005, depois de deixar o FBI, onde trabalhou depois da guerra, Whitehurst decidiu refazer os passos da jovem e localizar a sua família no Vietnã.

Thuy, que sonhava com a paz praticamente todas as noites e lutava por ela diariamente, conseguiu fazer seu relato sobreviver através das páginas do diário. Publicado no Vietnã em julho de 2005, A noite passada sonhei com a paz vendeu mais de 400 mil exemplares, um recorde para o país. Um memorial foi construído no local onde o corpo dela foi encontrado nas montanhas, e o governo vietnamita deu início à fundação para um hospital com o nome da jovem. Há ainda um documentário em produção sobre a trajetória de Thuy e dos nomes citados em seus relatos.

A história de Thuy Tram comoveu os vietnamitas pela simplicidade e idealismo. Ela teve sensibilidade para enxergar beleza e solidariedade onde só havia caos. Os princípios que defendia, no entanto, eram tão puros e sublimes que parecem ter se desvanecido entre os escombros de tantos conflitos. E, talvez por isso, esta jovem romântica e vulnerável sintetize tão bem os horrores da guerra e a fragilidade da vida humana.


Traduzido pelo prestigiado jornalista Andrew X. Pham, especialista em Vietnã, e com prefácio da jornalista ganhadora do prêmio Pulitzer Frances FitzGerald, A noite passada sonhei com a paz traz ainda uma cronologia do conflito e um adendo com fotos de Thuy e da família.

UM LANÇAMENTO DA

O SEGREDO DE SHAKESPEARE



de J. L. Carrell

Páginas - 416

Faltavam apenas três semanas para a estréia de Hamlet no Globe Theatre, em Londres, quando Kate Stanley recebeu uma inesperada e misteriosa visita nas galerias do teatro mais famoso da Inglaterra. Escolhida para dirigir a mais bela jóia da coroa teatral britânica, a jovem americana jamais poderia imaginar que Rosalind Howard, uma exuberante e excêntrica professora de Shakespeare em Harvard, fosse ao seu encontro. O relacionamento entre as duas havia se desgastado depois que Kate decidira trocar a carreira acadêmica pelo teatro três anos antes. Mas a visita de Ros escondia outras surpresas. Em poucas palavras, ela confiaria a sua ex-discípula uma pequena caixa envolta em papel dourado com laço de fita. Kate ainda não sabia, mas um cobiçado e valioso segredo de Shakespeare mudaria para sempre a sua vida.

Recebido com entusiasmo pela crítica e pelo público dos EUA, o romance de estréia da professora de literatura inglesa e americana Jennifer Lee Carrell, O segredo de Shakespeare, passeia com maestria pelas minúcias da obra do bardo inglês e pelos mistérios que cercam a sua identidade. Em uma trama repleta de suspense, perseguições e assassinatos, a autora norte-americana vai construindo um enigmático quebra-cabeça que pode apontar para uma obra até então desconhecida de Shakespeare.

Ainda aturdida com a visita de sua ex-professora em Harvard, Kate Stanley começa a suspeitar do conteúdo do seu presente quando o Globe Theatre misteriosamente pega fogo e Rosalind Howard é encontrada morta nas dependências do teatro. Ao contrário do que se poderia imaginar, a Rainha do Bardo não fora uma vítima do incêndio que assombrou Londres naquela noite. Exatamente como o pai de Hamlet, na peça de Shakespeare, Ros morreu com uma marca de agulha na grande veia atrás da orelha direita. E as coincidências com a obra e a vida do dramaturgo inglês não param por aí.

Estudiosa dos mitos que cercam a trajetória de Shakespeare, Kate se lembra dos tempos de faculdade quando percebe que o incêndio que quase destruiu o Globe Theatre aconteceu em uma terça-feira, 29 de junho. Em 1613, chamas criminosas haviam queimado o teatro pela primeira vez exatamente nesta data. Desconfiada de que Ros lhe confiou um segredo extremamente perigoso, a jovem diretora precisa seguir as pistas deixadas por sua ex-mestra a fim de desvendar este mistério. Em cinco atos, como uma própria personagem da dramaturgia de Shakespeare, Kate Stanley se lança em uma aventura que pode culminar no achado de uma relíquia até então oculta do autor de Macbeth.

Em sua frenética investigação nos Estados Unidos e na Inglaterra, Kate contará com a ajuda de Sir Henry, um consagrado ator em fim de carreira, e de Ben, um desconhecido sobrinho de Rosalind Howard. Sempre no seu encalço, o determinado inspetor britânico Francis Sinclair também se torna uma figura onipresente em sua arriscada missão de encontrar o segredo do bardo inglês. Se não quiser se tornar outra vítima de uma tragédia shakesperiana, Kate vai ter de correr contra o tempo.

UM LANÇAMENTO DA

Sociedade de Classes e Subdesenvolvimento



de Florestan Fernandes

Páginas - 256

Estimular o crescimento econômico do Brasil e conjugá-lo com a resolução de seus imensos desajustes sociais são itens presentes na agenda política nacional há algumas décadas.
Pode-se afirmar que este e outros dilemas que hoje ocupam posto central nos debates sobre o desenvolvimento da economia capitalista no Brasil foram brilhantemente enfrentados nos anos 1960 por Florestan Fernandes com a publicação de Sociedade de classes e subdesenvolvimento. No livro, Florestan aponta que os contornos funestos que adquiriram momentos importantes da história brasileira do século XIX, como o processo de independência política do país e a abolição da escravidão - e a conseqüente emergência do trabalho livre -, contribuíram para a constituição de grandes desalinhos na formação brasileira, visto que as mudanças jurídico-políticas não produziram as alterações socioeconômicas necessárias para a construção de uma ordem social competitiva.
A inclusão da economia brasileira no mercado mundial vicejado pelo sistema capitalista é analisada pelo autor em suas diversas faces. De acordo com Florestan, a modernização que se configuraria para um país posicionado na periferia do processo civilizatório levaria à formação de uma sociedade de classes duplamente dependente, pois os rumos de sua economia encontravam-se umbilicalmente vinculados aos interesses e desígnios dos países ricos, bem como seu desenvolvimento sociocultural impossibilitado de se construir de forma autônoma.
A reedição de Sociedade de classes e subdesenvolvimento é muito oportuna, tendo em vista que no momento atual a nação brasileira assiste às tentativas dos poderes públicos de estabelecerem dispositivos com o intuito de corrigir as desigualdades socioeconômicas criadas no âmbito do capitalismo brasileiro.

UM LANÇAMENTO DA



PROGRAMAÇÃO DE CINEMA

De 1º a 7 de agosto de 2008

Domingo, dia 3 de agosto – ingresso a R$1,00

CINEMATECA - Sala Groff - Rua Carlos Cavalcanti nº 1174 fone 41 3321-3270 (De segunda a sexta-feira, das 09:00 às 12:00 e das 14:00 às 18:30) e 3321-3252 (diariamente das 14:30 às 21:00) – www.fccdigital.com.br. Ingressos: R$ 5 e R$ 2,50. Gratuito para pessoas com mais de 60 anos.

O TEMPO E O LUGAR (BR/2008). Duração 98’. Direção de Eduardo Escorel. Documentário. A vida de Genivaldo da Silva, agricultor de Inhapi, na região semi-árida de Alagoas, foi marcada pela militância. Integrante do Movimento dos Sem Terra (MST), saiu por discordar de suas práticas de luta. Depois disso, passou pela Pastoral da Terra da Igreja Católica, militou no PT, de onde acabou expulso. Na maturidade, ele revê todas essas experiências, que sacrificaram sua vida familiar e causaram divisões entre seus filhos. Classificação 12 anos

Sessões às 15h30

Dias 2, 3 e 7 – sessões às 15h30 e 20h

Lançamento:

LEI SECA (PR/2008). Duração 12’. Realização coletiva (roteiro, direção, fotografia, produção e edição) pelos alunos do Curso Prático de Cinema da Cinemateca (1º semestre de 2008). Metrópole passa por escassez de água, fazendo com que este produto seja drasticamente racionado. Cada família não pode consumir mais do que cinco litros por dia. O mercado negro da água, porém, já entrou em cena, e as pessoas acabam recorrendo a ele. O dinheiro nem sempre é a moeda de troca. Classificação 12 anos

Dia 1º, às 20h – Entrada franca

XIII Semana de História – Cinema e História

Tema: 1968 (ver programação anexa)

De 4 a 6 – às 19h – entrada franca

PROGRAMAÇÃO

De 1º a 7 de agosto de 2008

Domingo, dia 3 de agosto – ingresso a R$1,00

CINE LUZ Rua XV de Novembro nº 822 fone 41 3321-3270 (De segunda a sexta-feira, das 09:00 às 12:00 e das 14:00 às 18:30) e 3321-3261 (diariamente das 14:30 às 21:00) www.fccdigital.com.br Ingressos: R$ 5 e R$ 2,50. Gratuito para pessoas com mais de 60 anos.

DOT.COM (Portugual, 2007). Duração 103’. Direção de Luis Galvão Teles, com João Tempera, Maria Adánez, Marco Delgado. Águas Altas é uma pequena aldeia no interior de Portugal que se torna notícia quando uma multinacional espanhola pressiona os aldeões a fechar o site da aldeia, por ser homônimo de uma marca de água potável que os espanhóis desejam lançar no mercado. A partir daí, gera-se uma grande divisão na localidade: há quem queira manter o site, por uma questão nacionalista, e há quem queira tirar partido de uma possível compensação financeira junto à empresa espanhola. Classificação livre.

Sessão às 15h30 e 17h30

Dia 3, domingo – sessão somente às 17h30

EM PARIS (Dans Paris – França/Portugal, 2006) Duração 93’. Direção de Christophe Honoré, com Romain Duris, Louis Garrel, Joana Preiss. Mirko tem dois filhos: os jovens Paul e Jonathan. O primeiro é confuso e o segundo, irresponsável. Paul sofre do mesmo tipo de depressão que levou sua irmã ao suicídio alguns anos antes. Ele vive com a namorada Anna, mas a relação está desgastada. Quando volta a morar com o pai, atinge o fundo do poço. Enquanto Jonathan vive aventuras românticas pela cidade, Paul se recusa a sair da cama e do quarto. Nem mesmo a insistência do pai e a visita da mãe o convencem. Mas uma noite ele finalmente sai e parte em direção a uma ponte sobre o rio Sena. Classificação 14 anos

Sessão às 20h

Dia 2, sábado – não haverá sessão deste filme

Pré-estréia:

O DRAGÃO DA MALDADE CONTRA O SANTO GUERREIRO (BR/1969). Duração: 100’. Direção de Glauber Rocha, com Maurício do Valle, Odete Lara e Othon Bastos. Numa cidadezinha chamada Jardim das Piranhas aparece um cangaceiro que se apresenta como a reencarnação de Lampião. Seu nome é Coirana. Anos depois de ter matado Corisco, Antônio das Mortes (personagem de Deus e o Diabo na Terra do Sol) vai à cidade para ver o cangaceiro. É o encontro dos mitos, o início do duelo entre o dragão da maldade contra o santo guerreiro. Outros personagens vão povoar o mundo de Antônio das Mortes. Entre eles, um professor desiludido e sem esperanças, um coronel com delírios de grandeza, um delegado com ambições políticas, e uma linda mulher, Laura, vivendo uma trágica solidão. Classificação 14 anos

Filme recentemente recuperado (cópia nova).

Dia 2, sábado – às 20h

ALVIN E OS ESQUILOS (Alvin and the Chipmunks – EUA/2007 – Duração: 91’). Direção de Tim Hill, com Jason Lee, Ross Bagdasarin Jr, Don Tiffany, David Cross. Animação dublada. Baseado na série animada Os Pestinhas, da década de 80, Alvin e os Esquilos conta a história de um grupo musical de esquilos, formado pelo líder brincalhão Alvin, pelo alto e envergonhado Simon e pelo bochechudo Theodore, todos adotados pelo músico Dave Seville. Ele transforma o incontrolável trio em celebridades da música pop, enquanto eles colocam sua vida do avesso. Classificação livre.

Domingo, dia 3 – sessões às 10h30 e 15h

CPJ e ANJ pedem garantias para que jornalistas possam trabalhar com segurança

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) divulgou nota pedindo que as autoridades brasileiras garantam que jornalistas possam trabalhar livremente e sem medo de sofrer represálias.

No último sábado (26/07), equipes de reportagem de três jornais cariocas foram abordadas por traficantes armados na Vila Cruzeiro. Os repórteres-fotográficos foram obrigados a apagar as fotos tiradas na comunidade.

Segundo o comunicado, “partes do Rio de Janeiro estão se tornando áreas onde repórteres não podem ir. As autoridades devem reverter esta tendência e garantir a segurança de todos os jornalistas que cobrem questões que afetam a vida dos moradores do Rio. É inaceitável, em uma democracia como o Brasil, que homens armados possam evitar que fotógrafos cubram a campanha eleitoral de um candidato à prefeitura".

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) também divulgou nota pedindo que as autoridades identifiquem os criminosos que ameaçaram os jornalistas. Segundo a nota, assinada pelo vice-presidente da instituição, Júlio César Mesquita, é “obrigação das autoridades identificar os autores dessa violência e encaminhá-los à Justiça, para que sejam punidos nos termos da lei”.

Ainda de acordo com o comunicado, a ameaça que os jornalistas sofreram "é uma lamentável evidência da ausência do poder do Estado em tantas áreas da cidade".

Assim como a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), a ANJ considera o ato um atentado contra a liberdade de imprensa.

A Polícia Civil, por meio de assessoria, informou que o delegado da 22ª DP, da Penha, Felipe Ettora, instaurou inquérito policial para identificar e prender os supostos traficantes que ameaçaram o direito de ir e vir dos jornalistas, pelo crime de constrangimento ilegal com uso de armas.

domingo, 27 de julho de 2008

ENSAIO - UM SÓ BRASIL DE MUITAS CARAS E MUITOS SONS

No Tocantins

O chefe dos parintintins

Vidrou na minha calça Lee

Eu vi uns patins pra você

Eu vi um Brasil na tevê

Capaz de cair um toró

Estou me sentindo tão só

Oh, tenha dó de mim

Pintou uma chance legal

Um lance lá na capital

Nem tem que ter ginasial

Meu amor

Roberto Menescal - Chico Buarque/1979

in Bye bye, Brasil

Para o filme Bye, bye Brasil, de Carlos Diegues

Como já me livrei de notas introdutórias , péssima expressão para qualquer tom de ensaio me sinto livre para incorrer em injustiças e tomar catiripapos de amigos mais chegados e cometer o despretencioso texto, dando testemunha que esse Brasil tem muito de conhecer esses outros brasis. Ia me ater a um mapa, dividir regiões, colocar em ordem alfabética, mas percebi que que ia incorrer em erro, escorregar no didatismo e no melhor dizer de João Antonio, ia me tornar um "um doutor sambudo e quiquiriqui, um litorâneo raquítico e pretencioso" que vive a "torcer o nariz".

Resolvi começar São Paulo, filho da terra que sou. Afinal quem é a cara de São Paulo...Meus amigos de beberundar nas padarias do Bixiga (apelido de um bairro central e boêmio) logo sacaram de um nome de rua, Adoniran Barbosa mas depois... depois tem o depois e outros poréns que logo veremos em outros intertítulos.

ADONIRAN BARBOSA, I TUTI QUANTI

Falar que Adoniran Barbosa é a cara de São Paulo não seria nenhum absurdo,, uma vez que João Rubinato em suas letras com sotaque e vocabulário da lígua do povo (a errada e gostosa língua do povo como gostava Manuel Bandeira), seria muito óbvio. Era um português conhecido por cá, como “macarrônico” falado nas ruas do Brás e Bixiga (os dois bairros hoje com muito mais sotaque nordestino). Ele assim como Paulo Vanzolini foram brindados com deliciosas histórias no ensaio de Conceição Ratis, “Os Boêmios na Música Popular” publicado por este Suplemento Cultural na edição de agosto de 2003. Mas é sempre bom relembrar a importância dos dois. Como bem relembra Tárik de Souza em seu livro “Tem mais Samba” (editora 34) “Sua originalidade (de Adoniran) projetou nacionalmente um samba paulista peculiar, repleto de ‘nós fumo e vortemo’. ‘Quem não sabe far errado não deve falar’, ironizava ele em depoimento”.

Na verdade Adoniran Barbosa nos idos de 50 chegou a ser chamado de o “Noel Rosa de São Paulo”, epíteto que felizmente não pegou.’ Zuza Homem de Mello em depoimento ao livro de Ayrton Mugnaini Jr – “Adoniran – Dá licença de contar” (Editora 34) explica que “se a vida de Adoniran sempre esteve ligada ao rádio, é como compositor que a sua vida em São Paulo ficará marcada para sempre. Adoniran foi o compositor de São Paulo por excelência. Ele transformou numa obra compreendida nacional e internacionalmente a linguagem e a vida paulistanas. ‘Samba do Arnesto’, ‘Trem das Onze’ e ‘Saudosa Maloca’ forma a trilogia suficiente para exemplificar sua obra. Uma obra engraçadíssima e tristíssima. De um boêmio/trabalhador, caipira/italiano, seco/vibrante, um gozador que sofreu. Um homem triste e alegre. Um monumental tipo popular.”

O autor e crítico musical de “Tem Mais Samba” também relembra ainda que a sonoridade paulista tinha a voz de Isaura Garcia, outra nascida e criada em bairro operário, o bairro do Brás.Suas músicas pouco recomendáveis para moças comportadas (Matriz e Filial, Só Louco, E o mundo não se acabou, por exemplo) eram siua marca registrada, além de seu imbatível bom humor.

Bom humor também não faltava para Paulo Vanzolini, que muito embora tenha ficado conhecido com “Ronda” e “Volta Por Cima”, era um cronista urbano imbatível. “ Vanzolini tomava um lotação para ir ao trabalho, e ao observar os batedores de carteira na fila, criou o elíptico ‘Praça Clóvis’ – ‘Na Praça Clávis minha carteira foi batida/ tinha vinte e cinco cruzeiros e o seu retrato/ vinte e cinco eu francamente achei barato/para me livrarem do meu atraso de vida...’”

MAS AINDA TEM OS CAIPIRAS

Muitos acham que a cara de São Paulo é a música caipira, a toada de viola tão cara a Mario de Andrade que as recolhia com enlevo quando era professor no Conservatório Musical. Quando falamos dessa música caipira, evitamos usar o termo sertanejo, hoje rótulo de músicas totalmente dissociadas desses estilo. Musicas estas hoje pausteurizadas e tocadas para duos e não duplas provocarem trinos e gargarejos que embalam letras repetitivas e melosas. A velho música sertaneja, a caipira que nos referimos é formada por cururus, modas, pagodes e cantos de trabalho, que desfilavam desde acontecimentos políticos, a reminicências. Não faltavam as sátiras, críticas e ainda história campônias com gados, cavalos de valor e certa valentia. Logicamente existiam também as histórias de amor e morte, mas dolosas, tristes para fazer as violas chorarem.

Essa música hoje rara mas que influenciou grandes compositores da MPB (Ivan Lins, Milton Nascimento, Chico Buarque tem uma sonoridade inconfundível – são catiras, benditos, toadas, batuques, calangos e modas de viola. Hoje ainda faz oi som de São Paulo através de uma incansável defensora, apresentadora de um decano programa semanal na TV Cultura (TV educativa de São Paulo), Inezita Barroso, ou se preferirem Inês Madalena Aranha de Lima, esta grande cantora, que nasceu em São Paulo em 04 de Março de 1925.

CHICO BUARQUE - O POETA SESSENTÃO

Falando em São Paulo a gente não podia deixar de lembrar do poeta de olhos verdes, o sessentão mais cobiçado do carioca calçadão beira-mar e que já foi um dia o poeta irriquieto da Rua Buri, pertinho do estádio do Pacaembú, onde adorava assistir futebol.

A história é simples , no dia 19 de junho nasce, na Maternidade São Sebastião, no Largo do Machado, Rio de Janeiro, Francisco Buarque de Hollanda, o quarto dos sete filhos

do historiador e sociólogo Sérgio Buarque

de Hollanda e da pianista amadora Maria Amélia Cesário Alvim.

Depois de morar no Rio de Janeiro e uns tempos na Itália, Francisco, o Chico se muda com a família para São Paulo (1956/1957) . Oficialmente (está na web) “sua irmã Ana de Hollanda, a "Baía", conta que aos doze, treze anos de idade, já de volta a São Paulo, Chico compôs ‘umas operetas’ que eram cantadas em conjunto com as irmãs mais novas, Ana, Cristina e Pii. A família muda-se para um casarão na rua Buri, a poucos quarteirões do estádio do Pacaembu. Embora fosse um apaixonado torcedor do Fluminense, a camisa que seu ídolo vestia era a do Santos. Seu nome: Paulo César de Araújo, o Pagão, nome que Chico adota até hoje, em homenagem ao craque, quando veste a camisa número 9 de seu time de futebol, o Politheama. Alguns amigos brincam, afirmando que Chico só se tornou músico porque não conseguiu

brilhar no futebol.” Sorte nossa.

Chico Buarque é como diremos...um produtor de clássicos instantâneos e ao trocar o curso de Arquitetura transformou-se um construtor com as melhores composições populares brasileiras,. É o que se pode chamar de o Compositor do Brasil. Se por um lado era comparado com Noel, por outro rompeu todas as barreiras, compôs em todos os ritmos e até em outras línguas. Gênio estendeu sua obra para o teatro e para a literatura. Completa neste mês 60 anos como um porta maior de obras sempre muito aguardadas. Unanimidade? Talvez, mas com certeza a melhor cara do Brasil.

E depois vem a história da Bahia. Ai se eu escutasse o que mamãe dizia...a gente faz o que o coração dita e decreta -

DORIVAL CAYMMI – 90 ANOS DE BRASILIDADE

Dorival Caymmi nasceu em Salvador, Bahia, em 30 de Abril de 1914. É tudo o que precisamos saber. Depois é só ouvir as canções e se transportar. Este é o único inconteste, ao lado de Caribe e Jorge Amado. Por certo que a Bahia são várias bahias de ritmos densos e tambores vibrantes. Bahia é Gil,

Caetano, Bethânia, Gal, e ainda uma montueira de trios elétricos, artistinhas chacoalhantes, axés e ...”muita bomba!” Mastem coisa boa muito embora

alguns críticos perguntam se no baticum Bahia pode virar Jamaica. Goli Guerreiro em seu livro “Trama dos Tambores – Amúsica afro-pop de Salvador “ (editora 34) esclarece essas nossas dúvidas em uma pesquisa que não deixou couro sobre couro e passou de beco em beco. Por isso mesmo Caymmi reina absoluta, e melhor, nos deu Nana, Dori e Danilo. Quer mais?

Dorival está sendo festejado pelos seus 90 anos...nem parece. Está ali a face calma, a voz potente. Compositor que nos deu Acalanto;Coqueiro de Itapoá; Dora; Samba da Minha Terra; São Salvador; Saudade da Bahia; Saudades de Itapoã; Só Louco; Você Já Foi à Bahia?; Você Não Sabe Amar; tantas que nem dá para escolher.

Mais uma vez o acaso parece ser o padrinho das artes no Brasil. Em Salvador trabalhou em muitos empregos antes de tentar a sorte como cantor de rádio, e como compositor ganhou um concurso de músicas de carnaval em 1936. Dois anos mais tarde foi para o Rio de Janeiro com o objetivo de realizar o curso preparatório de Direito e talvez arranjar um emprego como jornalista, profissão que já havia exercido em Salvador. Porém , e sempre tem um porém, incentivado pelos amigos, muda de idéia e resolve enveredar para a música. E lá ficou.

Teve sua música "O Que É Que a Baiana Tem" incluída no filme "Banana da Terra", estrelado por Carmen Miranda e nasceu o sucesso. Logo após sua música "O Mar" foi colocada em um espetáculo promovido pela então primeira-dama Darcy Vargas. Seu prestígio foi se ampliando, passando a fazer parte do cast da Rádio Nacional, local onde conheceu a cantora Stella Maris, com quem se casou em 1940 e permanece casado até hoje.

Sobre Caymmi Jorge Amado escreveu – “ Sua obra de compositor é das mais importantes do Brasil, sua canção lírica e dramática transpôs as fronteiras e as limitações de nosso subdesenvolvimento para se fazer uma afirmação universal de nossa cultura, de nossa originalidade. Sua influência sobre toda a música moderna brasileira é mais do que evidente, e não só nos termos da chamada música popular: em sua incomensurável riqueza vêm todos beber e aprender. Um baiano cheio de ternura, de amor ao povo e à vida, cordial e simples, glorioso e

modesto, feito de picardia e dengue, um brasileiro de sucesso mundial, Dorival Caymmi”.

Ainda no livro de sua neta Stella Caymmi “ Dorival Caymmi – O mar e o tempo” (editora 34) uma maçuda mas deliciosa biografia ficamos sabendo que conversar com Caymmi é uma arte. “E quando isso acontece exige sua total atenção. É datalhista. Cinematrográfico. Pinta o cenário antes de desencadear a ação no imaginário do seu interlocutor.” È algo como as suas músicas, uma pintura, clara brilhante. Triste ou alegre com detalhes de fundo e cores vibrantes em cada compasso.

Dorival é o responsável em grande parte pela imagem que a Bahia tem hoje em dia, e com seu estilo inimitável de cantar e com composições de construção melódica impar influenciou várias gerações de músicos brasileiros.

E tinha aquela coisa do Rio de Janeiro, a capital federal que era também a capital cultural do Brasil, onde todos iam se chegando e acariocavam-se...os mineiros principalmente!

NOEL ROSA

Dizem que a cara do Rio de Janeiro é o Carnaval, ou melhor o samba, ou talves a marchinha, por certo isso antes da bossa-nova que é também é samba...ou não é? O samba de raiz chegou aos tempos da eletrônica. É sucesso na favelo e no Favela Chic. Se o samba tem origem afro, chega da Bahia, é no Rio de Janeiro que se institucionaliza. E depois se populariza na obra em branco de Noel Rosa. O poeta da Vila (o bairro Vila Isabel para os puristas é a cara do Rio de Janeiro. Não só pelos seus componentes críticos e urbanos , mas como crônicas de uma cidade mais cordial.

Noel de Medeiros Rosa, cantor, compositor, bandolinista e violonista. Nasceu(11/12/1910) e morreu (04/05/1937) no Rio de Janeiro, RJ. Tivesse vivido mais deixaria com certeza uma obra extensa e tão rica como os sambas que o eternizaram. Noel em 1929, compôs as suas primeiras músicas, dentre elas a emb

olada Minha viola e a toada Festa no céu. Em 1930, conheceu seu primeiro grande sucesso Com que roupa. Em 1931 entrou para a faculdade de Medicina, sem, no entanto, abandonar o violão e a boemia. O samba falou mais alto pois largou o curso meses depois.

Sobre ele Tárik de Souza escreveu “Gênio (e profeta) da raça , sambista também cultor da ‘Rumba da Meia Noite’ ao rock da época, o fox-trot (‘Julieta’), Noel que viveu num Rio de Janeiro ainda bucólico, onde o despertador podiaser o guarda civil (que o salário atrasado), previu até o fim da malandragem cordial. E prenunciou a guerra civil não declarada: ‘No século do passado/ o revolver teve ingresso/ para acabar com a valentia’ (‘O Século do progresso’ 1934)”.

Cantou um Rio urbano depois devastado por espigões e selvagerias tantas que nem o maestro Antonio Carlos Jobim pode suportar.

TOM JOBIM E VINICIUS DE MORAES

Parceiros e apaixonados pela cidade do Rio de Janeiro o maestro e o poetinha são a cara de um Rio mais recente. Um Rio que deixa de ser capital federal e passa a ser orgulho do Brasil , nossa maior divisa turística, beleza esta ainda sobrevivente a tantos desmandos e a essa guerra anunciada. A biografia dos dois se confunde e passa a construir uma nova memória musical da cidade.

Nasce, em meio a forte temporal, na madrugada de 19 de outubro de 1913 , no antigo nº 114 da rua Lopes Quintas, na Gávea,Rio de Janeiro. Em 1928 compõe, com os irmãos Tapajoz,

"Loura ou morena" e "Canção da noite", músicas de muito sucesso. O poeta produz muitas obras e em 1954 sai a sua primeira edição de sua Antologia Poética. É 1956, e a partir desse ano começam os "caminhos cruzados". Convida Antônio Carlos Jobim para fazer a música do espetáculo, iniciando com ele a parceria que, logo depois, com a inclusão do cantor e violonista João Gilberto, daria início ao movimento de renovação da música popular brasileira que se convencionou chamar de bossa nova.

Anos mais tarde, em 1962, na mesma época que começa a compor com Baden Powell . Em agosto, faz seu primeiro show, de grande sucesso, com Antônio Carlos Jobim e João Gilberto, na boate AuBom Gourmet, que daria início aos chamados pocket-shows, e onde foram lançados pela primeira vez grandes sucessos internacionais como "Garota de Ipanema" e o "Samba da bênção"Faz ainda um Show com Carlos Lyra,na mesma boate, o Pobre menina rica onde é lançada a cantora Nara Leão.No mesmo ano compõe com Ari Barroso as últimas canções do grande compositor popular, entre as quais "Rancho das namoradas".

Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim nasceu às onze e quinze da noite de uma terça-feira, 25 de janeiro, de 1927,. Dizem que chovia muito nesse de seu nascimento na casados pais rua Conde de Bonfim, no bairro carioca da Tijuca. No Villariño onde se formara a dupla Tom & Vinícius, em 1958, outro encontro histórico acontece, envolvendo a dupla e Elizeth Cardoso. Daquela vez o padrinho foi Irineu Garcia, idealizador do selo Festa. Tom Jobim erasem duvida, o melhor de todos os novos compositores brasileiros.

É dessa época a sua “Sinfonia do Rio de Janeiro” uma composição sua com Billy Blanco. A composição buscava desenvolver a idéia musical da montanha, o sol e o mar. O disco foi lançado em 20 de janeiro de 1960. Braguinha (João de Barro), então na gravadora Continental escreveria “Rio de Janeiro...a montanha, o sol, o mar....principalmente o mar, este mar boêmio que canta para embalar as praias claras. E este sol que passeia no azul e ardentemente beija a mais bela mulher do pais! E a montanha do Cristo Redentor de braços abertos para a cidade e para quem vem de longe...Este disco maravilhoso...vai encontrar um Rio um pouco mais agitado,um pouco menos boêmio, mas que, felizmente, conserva ainda, a montanha, o sol, o mar...”

Como a primeira sinfonia, dedicada ao Rio de Janeiro, também foi encomendada outra — no caso, pelo pianista Bené Nunes, a pedido do presidente Juscelino Kubitschek, que sonhava com um poema sinfônico em homenagem a Brasília, a nova capital do país, inaugurada em 21 de abril de 1961. Acompanhado de Vinícius, que se incumbiria de escrever o recitativo da sinfonia, Tom viajou até o Planalto Central. Consta que da viagem voltou com os cinco movimentos de “Brasília, Sinfonia da Alvorada” na cabeça. Talvez os dois hoje não compusessem outra com tal empenho.

Vinicius é operado a 17 de abril de 1980, para a instalação de um dreno cerebral. E veio a falecer na manhã de 9 de julho, de edema pulmonar, em sua casa, na Gávea, em companhia de Toquinho e de sua última mulher. Desaparecido ficaram os originais de Roteiro lírico e sentimental da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Em 15 de setembro de 1994, três dias após Tom Jobimgravar sua parte de um dueto com Frank Sinatra, viajou até Nova York para submeter-se a uma angioplastia. Num dos vários exames a que Tom se submeteu, detectaram um tumor maligno em sua bexiga—e uma cirurgia foi marcada para o dia 6 de dezembro, no Mount Sinai Medical Center. No dia 8teve uma parada cardíaca, às 8h. A segunda, duas horas depois, lhe seria fatal. Seu corpo desembarcou no Rio no dia 9 de dezembro.

A paixão dos dois pelo Rio de Janeiro, são um exemplo do amor pela beleza em proveito da arte, no caso a música e poesia. Não dá para dissociar a imagem dos dois de São Sebastião do Rio de Janeiro.

E TODAS AS OUTRAS CARAS


Mineiro é gregário? Pelo sim pelo não temos o Clube da esquina! E nada mais representativo que Milton Nascimento e seus amigos para Minas Gerais. “Noite chegou outra vez, de novo na esquina os homens estão ... “ (Lô / Márcio Borges / M. Nascimento)". Em um inspirado texto o mineiro Tete Monti em seu siteda web escreveria – “ o carioca criado em Três Pontas Milton Nascimento, o Bituca, foi ganhar a vida. E foi nesse arraial chamado Belo Horizonte que Bituca conheceu a família Borges. No "quarto dos homens" da casa dos Borges, surgiu um estilo musical universal. (...) Bituca e Márcio Borges iam conhecendo gigantes da música como Wagner Tiso. Enquanto os garotos Lô Borges e Beto Guedes devoravam discos dos Beatles, Milton encontrava Fernando Brant e "Travessia" mostrava ao Brasil com que voz Deus cantaria, se cantasse.

Para entender que cara de Minas é essa, que não é só uma mas são muitas , a formação de “agrupamento” musical se deu com a soma do carioca Milton ao mineiro de Montes Claros, Beto Guedes que mais se destacou comercialmente, juntamente com Milton e Flávio Venturini. Já Toninho Horta é um dos maiores e melhores guitarristas do mundo e tocou em muitos discos de Milton Nascimento. Tavinho Moura mineiro de Juiz de Fora é, como Toninho Horta, um mestre da harmonia. Com uma forte influência religiosa é autor de "Paixão e Fé", incluída do álbum Clube da Esquina 2. Com Milton Nascimento, Tavinho fez o álbum Missa dos Quilombos e Sentinela. E mais os músicos do Clube da Esquina tem Wagner Tiso, maestro e arranjador. Tiso fez parte da banda Som Imaginário ao lado de Luiz Guedes, Fredera, Tavito, Zé Rodrix e Robertinho. O Som Imaginário lançou a música "Feira Moderna", dos até então desconhecidos Lô Borges e Beto Guedes no Festival Internacional da Canção. Deu para entender ?

Mas temos muitas outras caras e sons. Nos pampas além de Teixeirinha com os seus churrascos vinham umas Almôndegas...formados por Kleiton e Kledir Ramil, que nos anos oitenta, junto com Raul Elwanger deram a nota para as coisas do sul. Parelamente as tradições foram mantidas por grupos folclóricos e seus galpões. Artistas populares como Gaúcho da Fronteiro mantiveram acesa a chama que nos idos sessenta era garantida pelo Conjunto Farroupilha do qual Rolando Boldrin fazia parte.

Do Pantanal as boas novas e o resgate da verdadeira identidade cultural vieram através de Almir Sater que dividiu sua chalana com o ex-jovem guarda Sergio Reis.

Do Ceará, o óbvio Pessoal do Ceará com Rodger, Rogério e Teti, e ainda Ednardo, Belchior, Raimundo Fagner. Da Paraíba, Elba Ramalho, Zé Ramalho e a afinadíssima Amelinha. Do Piauí Jorge Mello. Do Pará, a agora aportada em Portugal Fafá de Belém e o grande compositor Paulo André Barata. E do Maranhão a sambista de swingue carioca e pitadas de carimbó Alcione e os novos talentos como Zeca Baleiro. Da grande Amazônia a força do canto índio de Marlui Miranda.

E por certo estamos deixando de falar muitos estados e das muitas facetas culturais e sons espalhados dentro deste incrível caldeirão cultural. A música rompe fronteiras, dizem que acalmam as feras, dizem que podem unir povos.

Pois bem, fiquemos então com o poeta piauiense...

"(...) Minha terra tem palmeiras de babaçu onde canta o buriti/e a melhor água do mundo/e um poço/e um menino/como posso agora cantar minha terra/estando tão longe-perto dela/como posso eu e essa miséria louca/descobrir destruir as ruínas de lar"
Todos cantam sua terra, também vou cantar a minha, Torquato Neto

Eduardo Cruz

Jornalista

Lançamento Infanto-juvenil

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MENSAGEM DO EDITOR

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quinta-feira, 24 de julho de 2008

RIO DAS FLORES


de Miguel Sousa Tavares

Páginas - 624

Com grande habilidade em casar ficção e história, Miguel Sousa Tavares, autor do aclamado Equador, faz neste seu segundo romance uma crítica a tudo o que tolhe a liberdade, seja no plano mais íntimo ou nos vastos territórios da política e da sociedade de uma maneira geral. A narrativa, que conta a história de três gerações da família Ribera Flores, se inicia em 1915 com a primeira República portuguesa e os embates com os monarquistas, percorrendo os principais acontecimentos políticos, sociais e culturais que marcaram Portugal, Espanha, Alemanha e o Brasil até o final da Segunda Guerra Mundial, em 1945.
Filhos do monarquista e grande proprietário de terras alentejano Manuel Custódio, Diogo e Pedro protagonizam pólos opostos no seio familiar, mas que são reflexo dos acontecimentos externos. O primeiro, intelectual e absolutamente contrário aos totalitarismos, quer a mudança e decide deixar a mulher, as terras do clã e o Portugal salazarista para começar vida nova ao lado de uma mulata numa fazenda no Vale do Paraíba, no Brasil, em pleno Estado Novo. Pedro, no entanto, quer assegurar a permanência de sua posição de latifundiário. "Tu podes fazer este papel porque está alguém aqui a manter as coisas", diz a Diogo. Chega a aderir à União Nacional e lutar ao lado dos franquistas na Guerra Civil Espanhola.
Por meio de uma prosa envolvente e rica em detalhes, o autor traça, através da história dos Ribera Flores - com suas tradições, histórias de amor e rupturas -, um grande painel que comporta as principais contradições e acontecimentos da primeira metade do século XX.

"Este é um livro com muita força, que se lê com avidez e prazer." - Vasco Graça Moura, Jornal de Letras, Artes e Ideias

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O CONTO DO AMOR



de Contardo Calligaris

Páginas - 136


O conto do amor inicia com a visita de Carlo Antonini, psicoterapeuta que vive em Nova York, ao convento de Monte Oliveto Maggiore, na Toscana. Ali ele se depara com algo inusitado: a figura do jovem são Bento, pintada em um dos afrescos nas paredes, é parecida com seu pai, que morreu doze anos antes. Isso o remete ao próprio motivo de sua ida à Itália: uma estranha conversa que ambos tiveram pouco antes de o pai morrer, quando este revelou ao filho, em tom de confissão, que em outra vida teria sido ajudante do pintor maneirista Sodoma (1477-1549), justamente o autor daquelas imagens. É o início de uma história cheia de surpresas, envolvendo um caso amoroso em meio à Segunda Guerra e seus desdobramentos da época até o presente.
Contardo Calligaris estréia no romance brincando com certos limites entre a imaginação e a vida real. A exemplo do autor, o protagonista de O conto do amor é psicanalista, atende pacientes em Nova York e teve um pai engajado na resistência antifascista italiana. "O primeiro capítulo, em seus detalhes, é total e fielmente autobiográfico", diz ele. "Nunca soube bem o que fazer com aquela estranha 'confidência' do meu pai na hora de sua morte. Claro, fui para Monte Oliveto e tudo, mas não achei nada. Nada, a não ser uma ficção. E toda ficção é, quem sabe, um pouco isto: um jeito de continuar um diálogo que ficou truncado na realidade."
Não por acaso, a trama nascida dessa inspiração tem como principal tema a busca da identidade. A jornada de Antonini em direção ao passado do pai, levada adiante em arquivos e encontros com personagens de cidades como Milão, Siena, Florença e Paris - além de Monte Oliveto Maggiore, claro -, no fundo é uma grande investigação sobre sua própria origem. Uma trajetória que mimetiza, de certa maneira, um processo psicanalítico de autodescoberta. "Na psicanálise, há um quê de 'investigação' no sentido policial-jornalístico", afirma Calligaris. "Mas o que muda no livro é que a investigação do protagonista é ação e aventura 'real'."
Ao final desse caminho por vezes tortuoso, que envolve os mistérios por trás da reprodução sem assinatura de uma imagem de Sodoma, de um atentado ao trem Roma-Mônaco nos anos 1970 e de uma noite inesquecível na Toscana narrada nos diários do pai, Antonini se surpreenderá ao perceber que suas descobertas apontam também para o futuro. E que nele ainda há lugar para paixões que podem mudar sua vida.


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VENENO REMÉDIO


- O futebol e o Brasil

de José Miguel Wisnik



Para quem não sabe quem não sabe quem é paulista, Wisnik nasceu em São Vicente, São Paulo, em 1948. É professor de literatura brasileira na Universidade de São Paulo, além de pianista e compositor. E está sempre querendo fazer mais e mais.

Os estudos de grande abrangência sobre o futebol, ao abordar as questões políticas, sociais, econômicas e comportamentais em torno do esporte, costumam deixar de lado o essencial: o jogo em si, aquilo que faz dele uma atividade capaz de apaixonar bilhões de pessoas dos mais remotos cantos do mundo.
O futebol, tal como foi incorporado e praticamente reinventado no Brasil, tem muito a dizer, com sua linguagem não-verbal, sobre algumas de nossas forças e fraquezas mais profundas, ajudando a ver sob outra luz questões centrais da nossa formação e identidade.
Temas recorrentes na melhor ensaística brasileira, como a "democracia racial", o "homem cordial" e a deglutição antropofágica do influxo cultural estrangeiro, encontram aqui um viés inesperado e original como um corta-luz, um drible de corpo, um lançamento com efeito ou uma folha-seca - jogadas que os craques brasileiros inventaram ou desenvolveram, encontrando novos caminhos para chegar ao gol e à vitória.
Lançando mão de um sofisticado instrumental crítico que bebe na filosofia, na sociologia, na psicanálise e na crítica estética, José Miguel Wisnik desce às minúcias do jogo da bola e de sua evolução ao longo das décadas. Nas páginas deste ensaio, craques como Domingos da Guia, Pelé, Garrincha e Romário põem à prova, com sua linguagem não-verbal, idéias sobre o país de escritores como Machado de Assis, Mário e Oswald de Andrade, sociólogos como Gilberto Freyre, historiadores como Sérgio Buarque de Holanda e Caio Prado Júnior.
O futebol, em Veneno remédio, não é mero "reflexo" da sociedade, mas tampouco se desenvolve à margem dela. É, como mostra Wisnik, uma instância em que as linhas de força e de fuga do embate social e da construção do imaginário se apresentam de modo ao mesmo tempo claro e cifrado, como costuma acontecer com as expressões artísticas.

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AO MESMO TEMPO



de Susan Sontag

Já foi moda gostar de Sontag, talvez agora seja mais agradável a sua leitura.O livro é união de ensaios e discursos redigidos por Susan Sontag nos seus últimos anos de vida, Ao mesmo tempo funciona como um fecho inspirado para toda uma vida dedicada ao amor à literatura e ao ativismo político.


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