terça-feira, 30 de setembro de 2008

CAFÉ FILOSÓFICO CLÍNICO


clique para ampliar

Faz duas semanas que meu amor



Faz duas semanas que meu amor
E outros contos para mulheres
de Ana Paula El-Jaick

90 páginas

Prosa direta, redonda, envolvente, permeada de inteligência e bom humor. Assim se define este livro de Ana Paula El-Jaick. Em contos curtos e irreverentes, a autora fala do cotidiano de mulheres que amam, desiludem-se, enfrentam preconceito, descobrem-se, camuflam-se, divertem-se, transmutam-se. Leitura cativante.

Um lançamento da

Ubiratan Sousa lança CD com show de músicos consagrados

Espetáculo no Teatro Paiol, às 21h desta terça-feira (30), conta com a participação de Sebastião Tapajós, no lançamento do CD “Bruxaria”.

Um show de música instrumental marca o lançamento do CD Bruxaria, de Ubiratan Sousa, nesta terça-feira (30), às 21h, no Teatro Paiol. É o sétimo álbum autoral do compositor, intérprete, multiinstrumentista e pesquisador maranhense, que teve suas obras gravadas por Alcione, Vânia Bastos, Dominguinhos, Roberto Sion, Hamilton de Holanda, Toninho Carrasqueira, Hermeto Pascoal, além de outros artistas.

Para marcar o acontecimento, Ubiratan convidou profissionais de peso de São Paulo e Curitiba: Sebastião Tapajós, Alessadro Penezi, Danilo Brito, Luizinho 7 Cordas, Marco Barros, Wagner Ortiz, André Elrich, Jacson Vieira, João Willian, Sergio Albach, Julião Boêmio, Vina Lacerda e Marcos Gomes. O espetáculo é patrocinado pela empresa Telemar.

Este é o primeiro disco do compositor formado somente por temas instrumentais. Bruxaria encerra a “trilogia Ubiratan Compositor, Arranjador e Instrumentista”, como ele mesmo define. Além de autor das músicas, Ubiratan também assina os arranjos e a direção musical do CD que inclui, entre outras composições, O Azevedo do Roberto, Vespas, Bruxaria, Modernizando, Deixando a ilha.

Ubiratan Sousa – O artista com mais de 600 músicas compostas é também cantor e, pode-se dizer, quase responde por uma orquestra. Toca violão, cavaquinho, baixo, guitarra, banjo, bandolim, flauta doce, viola de 10 cordas, acordeom, teclado e percussão.

Instrumentista autodidata, Ubiratan Sousa ingressou no cenário artístico em 1962, no Maranhão, e profissionalizou-se em 1966. Mudou-se para São Paulo em 1980, foi finalista do festival MPB-Shell, promovido pela Rede Globo, e, em 1984, lançou seu primeiro disco, o LP Tempo certo, seguido por Rosa amor (1987) e Choro de pássaros (1990). Na relação de CDs estão Tempo certo (1992), Capital do boi (1994), A alegria do boi Bunininho (1996) e Boi Pirilampo (2000), entre outros.



Serviço:

Ubiratan Souza lança o CD Bruxaria, tendo como convidados Sebastião Tapajós, Danilo Brito, Luizinho 7 Cordas, Sergio Albach, entre outros.

Data: 30 de setembro de 2008 (terça-feira), às 21h

Local: Teatro Paiol (Praça Guido Viaro, s/n – Prado Velho)

Ingressos: R$ 10 e R$ 5

Não esqueça - Mostra do Cinema Atual Espanhol

















Yo soy la Juani

Não esqueça. De quarta-feira (1º) a domingo (5), a Cinemateca de Curitiba exibe, na sessão das 20h, filmes espanhóis produzidos entre 2006 e 2007. Todas legendadas em português, as obras integram a Mostra do Cinema Atual Espanhol, uma realização da Embaixada da Espanha no Brasil. A entrada é franca.

Um franco, 14 pesetas, de Carlos Iglesias, rodado em 2006, abre a mostra, na quarta-feira (1º). Estrelado pelo próprio Iglesias, além de Javiér Gutiérrez, Nieve de Medina e Isabel Blanco, o filme situa-se no ano de 1960. Os amigos Martín e Marcos deixam suas famílias e vão tentar a sorte na Suíça, como se fosse a terra prometida.

A realidade é diferente daquilo que sonharam. A mentalidade e o comportamento são outros e eles precisam adaptar-se a essa sociedade. Conseguem trabalho como mecânicos numa fábrica e moram numa pequena vila industrial. A morte do pai de Martín faz com que regressem à terra natal, pois os dois amigos acreditam que conseguiram o que procuravam na Suíça. Porém, para surpresa deles, a volta desenha-se mais difícil do que a ida. Classificação livre.

Na quinta-feira (2), tem AzulEscuroQuasePreto, de 2006, com direção de Daniel Sánchez Arévalo. No elenco estão Quim Gutiérrez, Marta Etura, Raúl Arévalo, Eva Pallarés. O título remete a um estado de ânimo, um futuro incerto, uma cor que muitas vezes não se reconhece, mas que sofre mutações dependendo da luz, do prisma e do modo como é vista. Ela nos lembra que somos passíveis de enganos e vemos determinadas coisas com cores que elas não carregam.

O derrame cerebral sofrido pelo pai, faz com que Jorge volte a trabalhar como faxineiro. Ao mesmo tempo em que cuida do pai enfermo, Jorge estuda e conclui o ensino médio. Ele quer buscar novas conquistas. Por meio de um irmão que cumpre pena no presídio, conhece Paula e travam um relacionamento incomum. Este encontro poderá ajudar Jorge a perceber que pode mudar o curso de sua vida, mas isso vai depender de sua vontade, se ele realmente quer. Classificação: 14 anos.

Na sexta-feira (3) será exibido O melhor de mim, de 2007, de Roser Aguilar, com Marian Alvarez, Juan Sanz, Lluis Homar, Carmen Machi. Quando criança, Raquel se vê intrigada com os discursos de amor que estão por toda parte. Nos enredos das novelas, nas canções, nos filmes o amor é um tema recorrente. Seu pensamento: o que ocorreria se não encontrasse ninguém que a amasse? O tempo passa, Raquel cresce, apaixona-se e quando vai morar com Tomás obriga-se a se perguntar o que estaria disposta a fazer em nome do amor? Classificação livre.

No sábado (4) tem Eu sou a Juani, de Bigas Lunas, produzido em 2006, com Verônica Echegui, Laya Martí e Dani Martín. Juani é uma garota que acumula problemas em casa e com o namorado, um rapaz ciumento e indeciso nas ações. Chega um momento que não dá mais: termina o relacionamento e resolve deixar para trás sua vida de conformações para conseguir o que deseja: ser atriz, triunfar na profissão. Classificação: 14 anos.

A mostra encerra no domingo (5), com programa duplo: Salvador (Estória de um milagre cotidiano), de 2007, de Hwidar Abdelatif, com Nacho Fesneda, Orlín Morán e Carlos Merchán; e Tua vida em 65´, de 2006, de Maria Ripoll, com Javier Pereira, Oriol Vila, Marc Rodríguez, Tâmara Arias.

Salvador (Estória de um milagre cotidiano) é um curta-metragem de 11 minutos. Uma criança brinca de esconde-esconde num vagão de trem. Todos os passageiros envolvem-se no jogo, à exceção de um homem que, incomodado, salta do trem.

Um poético e inquietante flashback traz à tona as razões da angústia do cidadão. O filme sugere uma idealização da trágica manhã de 11 de março de 2004, em Madri, quando 191 pessoas morreram num ataque terrorista. A mensagem aborda a necessidade de superação do trauma através da lembrança e da esperança. Classificação: 14 anos.

Tua vida em 65 coloca em cena três jovens estudantes que num domingo comum, sem nada em especial, lêem uma nota necrológica no jornal e acreditam que seja de um colega da escola que eles perderam de vista há algum tempo. Seguem até o velório, mas descobrem que houve um engano – o morto não é aquele que imaginavam. A partir desse momento a confusão e o acaso tecem uma história de amizade, amor e morte. Classificação: 14 anos.

Serviço: Mostra do Cinema Atual Espanhol Data e horário: de 1º a 5 de outubro de 2008, às 20h Local: Cinemateca de Curitiba (Rua Carlos Cavalcanti, 1.174) Entrada franca

Brasil não tem liberdade de imprensa

Presidente da ABL diz que Brasil não tem liberdade de imprensa, mas de empresa

Sérgio Matsuura ( da Comunique-se)

"No Brasil não existe liberdade de imprensa, existe liberdade de empresa", afirmou o presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), Cícero Sandroni, no encerramento do seminário "Brasil, brasis – liberdade de expressão: base da democracia", realizado na sede da ABL na noite desta quinta-feira (25/09). Todos os debatedores defenderam a liberdade de imprensa, mas levantaram problemas que ela enfrenta para a sua plena consolidação no País.

Sandroni argumentou que nos seus 50 anos de jornalismo percebeu que, por causa de pressões dos conglomerados econômicos e do Estado, o jornalista não possui liberdade de expressar seu pensamento, mas apenas cumpre pautas que se alinhem com os interesses dos financiadores dos veículos de comunicação.

"Eu acho até natural que os meios de comunicação defendam os interesses dos grupos que os financiam, mas não é aquela liberdade de imprensa que gostaríamos que existisse", avaliou Sandroni.

Bucci critica influência da publicidade
A mesma linha de pensamento foi apresentada pelo ex-presidente da Radiobrás Eugênio Bucci. Ele criticou o poder exercido pela publicidade, principalmente dos governos, nos veículos de comunicação. Segundo Bucci, a verba de publicidade dos municípios, dos estados e da federação interfere na produção de conteúdo dos veículos, cerceando a liberdade de imprensa.

"O Estado é um dos maiores anunciantes do mercado brasileiro. Isso significa que nos veículos mais fracos a verba vinda do poder público é essencial para o seu funcionamento. Isso cria uma porta de influência, interferência e de pressão do poder público sobre a existência dos próprios veículos. Isso conspira contra os requisitos formais da liberdade de imprensa", alerta Bucci.

O controle dos veículos de comunicação pelo Estado é, para o ex-Ministro da Justiça Célio Borja, o maior obstáculo à liberdade de expressão. Segundo ele, ao influenciar a produção de informação, o poder torna a versão oficial dos fatos hegemônica no cenário nacional em detrimento das opiniões individuais.

"Hoje a repressão sobre os veículos e sobre as opiniões está muitíssimo limitada, mas a repressão não é a única forma de dominação dos veículos", afirmou Borja.

Jornalista deve usar crítica para lutar contra controle
Na opinião do ex-presidente da Radiobrás, para lutar contra esse controle é necessário que "os jornalistas exerçam a liberdade". Para tanto, os profissionais devem "olhar com desconfiança", não deixando serem cooptados pelo poder econômico, político e dos grupos de influência.

“A liberdade floresce mais na crítica que no aplauso”, afirmou Bucci.

A cientista política, historiadora e jornalista Lucia Hippólito também prega a crítica como meio de alcançar a liberdade de imprensa. Ela afirma que o poder e o pensamento se relacionam mal, "porque o poder não aceita críticas e o pensamento é, em si, uma forma crítica de expressão".

Analfabetismo impede a liberdade de imprensa
O jornalista e professor universitário José Marques de Melo levantou outra barreira para o pleno exercício da liberdade de imprensa no País. Mesmo com a Constituição de 88, que propiciou "um dos momentos mais fecundos" da atividade dos meios de comunicação no País, a maior parte da população continua fora desse processo em "bolsões marginalizados da cultura letrada".

"Ao ingressar no século XXI, o Brasil sofre de um mal endêmico. Sua imprensa permanece restrita a uma fatia minoritária da sociedade. É reduzido o número de brasileiros que são leitores regulares de livros, revistas e jornais", analisou Melo.

O advogado Sérgio Bermudes lembrou que o direito à liberdade de imprensa está presente, assim como na Constituição Brasileira, na Declaração Universal dos Direitos Humanos. O documento, que completa seu 60º aniversário este ano, diz em seu artigo 19:

"Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão. Este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e procurar receber informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras".

domingo, 28 de setembro de 2008

MELHOR MORRER DE VODCA, QUE DE TÉDIO?




















"Foi truculento, odiando a truculência
ficou sem voz, nas horas de discurso
Gastou-se em aparência
Disfarçando o urso."
Jorge Wanderley, in Coração à Parte

"E logo vai amanhecer
Os trabalhadores vão se levantar
e vão procurar por mim no estaleiro
e dirão:
'ele tá bêbado de novo' "

Charles Bukowski, in Quatro e meia da manhã

Se os poetas boêmios de todo mundo se dessem as mãos, não teria ninguém para abrir as garrafas. Nosso título foi tirado de um poema desesperado de Maiakovski e que poderia muito bem sintetizar o pensamento dos mais boêmios poetas. Eles poderiam ser do século dezessete, dezoito, do século passado. Russos, brasileiros, alemães. Pernambucanos que aportaram em São Paulo ou Rio de Janeiro. Gente de todos os estilos, mas com algo em comum, a boemia. E outra coincidência mais estilística, a de quase nunca povoarem seus textos com personagens positivos. Para não cair na mesmice e fugir da tentação de transcrever piadas de nossos boêmios como "ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de Baudelaire..." mas dar um pulinho a um dos grandes centros de boemia de São Paulo, A Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo.

CASTRO ALVES

Gente como Castro Alves estudou nas Arcadas Paulistas. Temos diversas historias sobre ele e a boemia, algumas inclusive já contadas nesse Suplemento.Uma história que se reveste do manto da especulação, maledicência ou até faz jus à mítica dos poetas românticos, é que Castro Alves em sua incursão pelo Braz, onde em um salto sobre uma vala desequilibra-se e dá um tiro no pé é incorreta e foi criada pelos amigos, para amainar um possível escândalo. Diz-se que, desgostoso com as relações com Eugênia Câmara, redirige suas energias para uma paulista de família burguesa. A mulher, por armadilha do destino, é casada com um comerciante português dono de uma chácara extensa que beirava até a famosa chácara do Tatuapé.O dito português flagra Castro Alves em sua propriedade. O poeta foge, mas, à beira de um riacho, acaba por levar um tirombaço no pé.O ferimento infecciona, pois a região possuía muitas charnecas pelas quais Alves precisa arrastar-se em busca de socorro. A tal chácara da Bresser existiu, assim como o riacho que desde o início do século está canalizado.A charneca está sobre metros de aterro, asfalto e concreto. Até os trilhos do Metrô correm sobre ela...

Mas que São Paulo era essa que o poeta freqüentava? Em carta ao Dr. Augusto Guimarães, de abril de 1868, dizia "Eis-me em São Paulo, na terra de Álvares de Azevedo, na bela cidade das névoas e das mantilhas, no solo que casa Heidelberg com a Andaluzia... Aqui há frio, porém frio da Sibéria; casas de Tebas; ruas, mas ruas de Cartago... casas que parecem feitas antes do mundo de tanto que são pretas, desertas, mas que parecem feitas depois do mundo de tanto que são desertas (...) escrevo-te, à noite. Faz frio de morte. Embalde estou embuçado no capote e esganado no cachenê". Existem outras versões deste texto, porém, todas concordam que sua conclusão era a mesma: "inclino-me a preferir São Paulo ao Recife."

ALVARES DE AZEVEDO

Álvares de Azevedo foi outro que deixou sua marca nas arcadas. Poeta, contista e ensaísta, nasceu em São Paulo a 12 de setembro de 1831, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 25 de abril de 1852. Em 1848 matriculou-se na Faculdade de Direito de São Paulo, onde foi estudante aplicado e de cuja intensa vida literária participou ativamente, tendo fundado a Revista Mensal da Sociedade Ensaio Filosófico Paulistano. Entre seus contemporâneos, encontravam-se José Bonifácio (o Moço), Aureliano Lessa e Bernardo Guimarães estes dois últimos suas maiores amizades em São Paulo, com os quais constituiu uma república de estudantes na Chácara dos Ingleses, era ali que nasceria grande parte de sua obra poética. O meio literário estava encharcado de byronianismo, e teria fornecido a Álvares de Azevedo componentes de melancolia, sobretudo a previsão da morte, que parece tê-lo acompanhado a vida toda.

FAGUNDES VARELLA

Eu passava na vida errante e vago
Como o nauta perdido em noite escura,
Mas tu te ergueste peregrina e pura
Como o cisne inspirado em manso lago,

Já Luiz Nicolau Fagundes Varella nasceu em Rio Claro, Rio de Janeiro, em 17 de agosto de 1841 e faleceu em Niterói em 18 de fevereiro de 1875. Estudou também na Faculdade de Direito do Largo São Francisco na cidade de São Paulo, onde ainda se casou com uma prostituta. Dessa união, nasceu o filho primogênito, que veio a falecer com apenas três meses de vida. Mais amargurado que nunca, entregou-se totalmente à vida boêmia e ao álcool. Passou seus últimos anos de vida longe das grandes cidades, buscando refúgio na religião e no contato direto com a natureza e com pessoas simples da vida rural. A poesia que produziu nessa fase reveste-se de preocupação espiritual, apresentando caráter panteísta. O terceiro ano de direito fez na Faculdade de Direito em Olinda onde Castro Alves era primeiranista. Volta para São Paulo, mas desencantado da vida desiste de tudo, inclusive do curso. Sua obra poética, embora contivesse atitudes ultra-românticas, o pessimismo, a solidão e a morte, apontam rumos novos, que conduzem à geração seguinte de poetas. Conta-se que em 1861, teve aventuras ruidosas com uma "célebre mundana da Paulicéia", conhecida como Ritinha Sorocabana, cujo verdadeiro nome era Rita Maria Clementina de Oliveira. Logo após esse afair lançou o seu "Noturnas".

POETA É ALGO QUE MORRE MUITO

Desgraças à parte, nossos poetas românticos e boêmios eram dados a morrer de tuberculose, doença essa que grassava nas rodas da extravagância. Mas outros optaram por vias menos naturais e mataram-se. Em todos os tempos e todos os países isso vinha acontecendo, que o diga Goethe quando criou o seu jovem Werther. Que o diga os novos poetas (os neo-byronianos) góticos e outros tantos, em todas as épocas de nossa lira literária.

O escritor J.Toledo teve a ousadia de preparar o seu "Dicionário de Suicidas Ilustres" que relaciona personagens reais e da ficção que chegaram às vias de fato (às vezes malogradamente). Sem querer fazer apologia, metodicamente ele vai resgatando os nomes desses que desistiram da vida. Descobrimos por exemplo que Ruy Apocalypse, poeta e cronista mineiro (1934-1967), radicado em São Paulo, era um boêmio inveterado, morava só, na Rua Conselheiro Nébias, e o isolamento da grande cidade o induziu ao alcoolismo descontrolado e crônico que lhe acarretou diversos problemas profissionais. Em uma madrugada, atirou-se debaixo de um ônibus.

Outro poeta que não resistiu à boemia e depressão foi o português Mário de Sá-Carneiro. Nasceu em 19 de maio de 1890 em Lisboa, e teve como grande amigo Fernando Pessoa. É copiosa sua correspondência que relata suas dificuldades emocionais. Aos "26 anos incompletos retornou a Paris, sofreu uma crise moral e financeira, abandonou os estudos, brigou com o pai e passou a levar a vida boêmia da cidade". Conta-se que uma noite, em desespero, vestiu um smoking, trancou-se no quarto do hotel, deitou-se e envenenou-se com uma dose titânica de arsênico. Antes de se matar, enviou poesias inéditas à Pessoa, publicadas depois em 1937 com o título "Indício de Oiro".


Da Rússia temos o exemplo de Wladimyr Maiakovski, nascido em 19 de julho de 1893 em Bagdadi, e suicida-se em 14 de abril de 1930, em Moscou. Viveu intensamente, escandalizou, foi verdadeiramente revolucionário, na poesia, teatro e até cinema. Matou-se após concluir seu poema "A Plenos Pulmões". Curiosamente a sua frase, é melhor morrer de vodca do que de tédio, pareceu ser adequada para um poeta e músico punk, John Simon Ritchie, mais conhecido como Sid Vicious da banda inglesa Sex Pistols. No dia 2 de fevereiro de 1979, aos 24 anos, escreveu o seguinte poema dedicado ao grande amor de sua vida, Nancy, que havia morrido de overdose – "Você era minha menininha/e eu conhecia seus medos/ tanta alegria tê-la em meus braços/ e beijar suas lágrimas/ Mas agora você foi embora/ Só ha dor/e não posso fazer nada/ não quero viver essa vida/ se não posso vive-la com você". E suicidou-se ingerindo uma overdose de cocaína com vodca.

TAMBÉM SE VIVIA BEM

Os poetas boêmios que viveram no Rio de Janeiro e São Paulo, viveram pouco, mas intensamente. Em todas as épocas, misturaram-se com a fauna noturna onde pululavam compositores, atores, etc. Em São Paulo, por exemplo, na rua do Seminário próxima das Arcadas do Largo de São Francisco lá por 1922, os boêmios discutiam o fascismo e os movimentos populares. Popular era José Oiticica proparoxítonos da Letra do Hino Nacional, que deixam a criança mais atrapalhada do que o cego em tiroteio ou bode em canoa" . Ainda na memória boêmia de Lago encontramos o fascínio dos poetas e atores por Jacques Prévert. Anos mais tarde, já pelos sessenta e poucos o fascínio por Jean Genet (que teve uma fantástica biografia escrita por Edmund White ). Genet quando esteve no Brasil conheceu a noite de São Paulo, em especial a do Bairro do Bixiga (Bela Vista) onde ficava o teatro que apresentou sua peça "O Balcão".

No Rio de Janeiro, além dos cabarés da Lapa, pouco freqüentados, mas vizinhos de Manuel Bandeira, a boemia foi se espraiando por toda a orla. Os mineiros foram se chegando e agrupando-se. Cariocando-se, como querem alguns. Como já explicamos antes, ficando tudo assim como que mesclado. Afinal, escritores, cronistas e poetas acabavam incursionando também pela música popular. Como separar e rotular o nosso Antonio Maria ou Vinicius de Moraes. Se uns iam ao Clube da Chave outros visitavam a bossa nova no Beco das Garrafas. Tinha o "Corridinho" e também "O Fado". A casa portuguesa pululava de anti-salazaristas, mesmo todos acreditando que muitos dos portugueses eram da temida PIDE. Mas Tonny de Matos, sempre dava um jeitinho nas coisas e os brasileiros se aboletavam nas mesas para as vezes em petit comitê assistir um show exclusivíssimo de Amália Rodrigues. Os poetas e boêmios também adoravam o lugar por conta das apresentações de "desgarradas", improvisações ao som das guitarras portuguesas, um delicioso contraponto ao nosso repente. Certa noite o poeta Mario Lago estava por lá e frente a uma provocação (estava-se às vésperas da eleição de Jânio Quadros) resolveu também soltar a sua trova que saiu assim "Meu Brasil, país querido, teu destino é bem horrendo/ai-ai, oli, olá, teu destino é bem horrendo./Vai-se um doido varrido e vem um doido varrendo,/ai-ai, oli, olá, vem um doido varrendo". Pano rápido!

NOITES TROPICAIS

E nessa antropofágica noite tropical onde os personagens se aglutinam a lista se tornaria imensa e enfadonha. Quando acabamos de escrever Paulo Leminski, alguém nos socorre com Mario de Andrade, com Oswald de Andrade, mistura-se com uma pitada de angostura e tristeza desse coquetel a morte recente de Wally Salomão. Lembramos seu outro tão amigo que tão cedo se foi o piauiense Torquato, que soube como ninguém sintetizar essa boemia antropofágica e tropicalista que se tornou a noite (de todos os tempos) do Rio de Janeiro e de São Paulo, e que para os que desceram a ladeira da Sé em Olinda e bordejaram o rio, atravessaram a ponte e foram ao cais de Recife, sempre parece próxima porque nunca é distante dos livros e das rimas. Torquato que no saber de Augusto de Campos (ótimo tradutor de Maiakovski, diga-se de passagem) "agora você se mandou mesmo/pra não mais voltar/(deixe que os idiotas pensem que isto é poesia)..." e como ele mesmo escrevia "tudo o que eu quero/é uma questão de gosto:/um beijo, bolero/e pipoca moderna/mais o contraresto/menos nosso imposto/e cada vez mais perto/do porto."

Daria para falar de muitos, fazer um manifesto. Mas no texto enxuto e preciso devemos citar outro que transitou ha tão pouco tempo, Julinho Barroso. Citamos duas curtas frases, como meteóricas memórias de suas andanças – " O poeta é o traficante da liberdade" e " Pra quem desce a nossa onda/Toda semana é de arte moderna".

Todos esses poetas velhos, novos, parnasianos ou modernos amavam sua poesia e a noite. Como o alemão Charles Bukowski que trocou de país e de língua para se transformar em um poeta vigoroso e que só chegou às nossas mãos (traduzido) graças ao empenho de outro poeta, esse pernambucano Jorge Wanderley. Jorge não pôde ver o livro impresso, mas a edição da Bertrand Brasil é uma homenagem justa a seu empenho. Na introdução do livro Márcia Cavendish Wanderley nos conta "... Bukowski defendeu intensa e ostensivamente sua marginalidade na vida e na obra. Aquele 'demonismo' que teve em Baudelaire sua mais momentosa voz foi bandeira desfraldada pelo poeta bêbado. Em Jorge ele também existiu, mas escondia-se sorrateiro sob suas sobrancelhas mefistofélicas carinhosamente cultivadas e acariciadas (...) e por isso traduziu tão bem Bukowski, a quem respeitava, sobretudo pelo seu desprezo em relação a toda e qualquer representação institucional da vida, por tudo que não fosse carne da alma".
"'fumante ou
não-fumante?', o funcionário
perguntou.
'bebedor', eu
respondi."
Charles Bukowski, in All the Casualties Jorge Wanderley, in Todas as Perdas (tradução)


Ensaio de Eduardo Cruz

Filmes de Hitchcock são tema de curso na Cinemateca



As inscrições para o curso comandado por Paulo Biscaia Filho devem ser feitas nesta terça-feira (30). As vagas são limitadas.


Nesta terça-feira (30), a Cinemateca da Curitiba estará recebendo as inscrições dos interessados em participar do curso Leituras de Alfred Hitchcock, que acontece nos dias 8 e 9 de outubro, sob a orientação de Paulo Biscaia Filho. Serão ofertadas 30 vagas, com inscrições gratuitas que devem ser efetuadas das 9h às 12h e das 14h às 18h30. Informações pelo telefone (41) 3321-3252.

Durante o curso serão analisadas algumas das principais obras de Alfred Hitchcock (1899 – 1980), cultuado cineasta inglês que é considerado o “mestre do suspense”, com quase 70 filmes produzidos. A filmografia de Hitchcock serviu de inspiração para importantes cineastas, entre eles Francis Ford Coppola, Mel Brooks, Brian De Palma e Quentin Tarantino.

Em seis tópicos divididos entre 8 e 9 de outubro, no período das 18h30 às 22h30, Paulo Biscaia Filho abordará o planejamento estrutural do filme como metáfora e linguagem. No primeiro dia estarão em pauta os temas “E Hitchcock recriou a mulher” (com o filme Um corpo que cai), “O espetáculo das fraquezas humanas” (com o filme Janela indiscreta) e “Manipulação de tempo e espaço” (com o filme Intriga Internacional). No último dia, os temas “Autorização ao Voyeurismo” (com o filme Psicose), “Olhando de dentro da gaiola” (com o filme Os Pássaros) e “Batatas no fundo do saco” (com o filme Frenesi).



O professor – Paulo Biscaia Filho é mestre em Artes pela Royal Holloway University of London (Inglaterra) e professor na Faculdade de Artes do Paraná, nos cursos de Artes Cênicas e Cinema e Vídeo, além de atuar como diretor de teatro e de audiovisual para a companhia Vigor Mortis. Seus trabalhos incluem Morgue Story, Graphi” e Hitchcock Blonde.


Serviço:

Curso Leituras de Alfred Hitchcock, ministrado por Paulo Biscaia Filho

As inscrições são gratuitas e devem ser feitas no dia 30 de setembro de 2008 (terça-feira), das 9h às 12h e das 14h às 18h30

Aulas nos dias 8 e 9 de outubro de 2008, das 18h30 às 22h30

Local: Cinemateca de Curitiba (Rua Carlos Cavalcanti, 1.174)

Informações pelo telefone (41) 3321-3252


Lançamento de três obras que tratam de Machado de Assis e Guimarães Rosa.

A Editora UFMG e a Faculdade de Letras realizam no próximo dia 29 de setembro,segunda-feira, lançamento de três obras que tratam de Machado de Assis e Guimarães Rosa.

A poética migrante de Guimarães Rosa e Crônicas da antiga corte - Literatura e memória em Machado de Assis, ambos organizado por Marli Fantini, e Ser-tão natureza - a natureza em Guimarães Rosa, de Mônica Meyer, são os títulos que serão lançados nesta data, no saguão da Reitoria (Av. Antônio Carlos, 6.627 – Campus Pampulha), das 20 às 22 horas. Os lançamentos acontecem dentro da programação do Congresso Internacional “Centenário de Dois Imortais: Machado de Assis e Guimarães Rosa” , de 29 de setembro a 2 de outubro de 2008, na UFMG. Abaixo, breve resumo sobre as obras e imagens das capas.

O objetivo do Congresso é comemorar o centenário de falecimento de Machado de Assis e o de nascimento de Guimarães Rosa. Ambos pertenceram à Academia Brasileira de Letras, tendo Machado de Assis sido um de seus fundadores e presidente vitalício. O evento visa não apenas identificar o compromisso dos dois homenageados com sua própria produção literária, intelectual e crítica, mas também reconhecer e difundir a importância que tiveram suas produções na atualização lingüística, estética e política do circuito literário e crítico ibero-afro-americano.

Mais informações sobre o evento podem ser obtidas pelo telefone 3409-5131, com a professora Marli Fantini.

Cinemateca exibe trilogia de Alexandre Damiano Junior

Histórias de amor são contadas em três filmes curtas-metragens

do diretor carioca Alexandre Damiano Junior.



O amor com seus caminhos e descaminhos é o tema central de três filmes rodados no formato de curta-metragem, que serão exibidos nesta terça-feira (30), às 19h30, na Cinemateca de Curitiba, com entrada franca. A trilogia é do cineasta carioca Alexandre Damiano Junior, que estará presente à sessão. Nessa noite, antes do apagar das luzes, Damiano Junior autografará seu livro Pororoca – Artes Visuais e Textos, no qual registra sua trajetória artística por meio de textos, fotos e desenhos.

A somatória dos três curtas resulta em cerca de uma hora. Nesse período tem-se a narrativa do dia-a-dia de um casal de namorados, seus encontros e desencontros. Os filmes foram rodados nos anos de 2006, 2007 e 2008, respectivamente, e cada qual mostra uma fase dessa história de amor.

Em O Técnico da TV (2006), um jovem casal decide voltar a se relacionar devido a um perigo iminente. Depois de algum tempo juntos, a relação começa a se desgastar e a solução para o mal-estar está na busca por novas possibilidades. Esse é o tema de Feliz Aniversário (2007). O terceiro filme, Três Reais (2008), encerra a trilogia com praticidade filosófica e matemática quando conclui que, no amor, um mais um é igual a três.



O cineasta – Alexandre Damiano Junior, além de cineasta e fotógrafo, é artista plástico e escritor. Estudou cinema no New York University (EUA), fez pós-graduação em Artes Visuais pela School of Visual Arts de Nova York (EUA) e em Fotografia pela Faculdade Cidade do Rio de Janeiro. Como diretor, respondeu por vários curtas e médias-metragens.



Serviço:

Exibição da trilogia do diretor Alexandre Damiano Junior: O Técnico da TV, Feliz Aniversário e Três Reais. Antes da sessão haverá lançamento do livro Pororoca – Artes Visuais e Textos, de sua autoria.

Data e horário: 30 de setembro de 2008 (terça-feira), às 19h30

Local: Cinemateca de Curitiba (Rua Carlos Cavalcanti, 1.174)

Entrada franca

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

MOSTRA DO CINEMA ATUAL ESPANHOL

De 1º a 5 de outubro de 2008

Realização

Embaixada da Espanha no Brasil

Cooperação Espanhola/AECID

Cinemateca de Curitiba

Legendas em Português

Entrada franca

Local: Cinemateca de Curitiba

Rua Carlos Cavalcanti, 1174


















Azul Oscuro Casi Negro

Dia 1º - quarta-feira, às 20h:

Um franco, 14 pesetas - Un Franco, 14 pesetas (2006). Duração 105’. Direção de Carlos Iglesias. Com Carlos Iglesias, Javiér Gutiérrez, Nieve de Medina, Isabel Blanco.

Sinopse: Espanha, 1960. Martín e Marcos, dois amigos, decidem ir para a Suíça para procurar trabalho. Deixam suas famílias na Espanha e empreendem uma viagem a uma nova vida na Europa do progresso e das liberdades. Ali, descobrirão uma mentalidade muito diferente e à qual deverão adaptar-se, trabalhando como mecânicos numa fábrica e morando numa pequena vila industrial. Com a morte do pai de Martín, consideram que já conseguiram o que foram procurar na Suíça e que é hora de voltar. Para surpresa deles, a volta será mais difícil do que a ida. Classificação livre

Dia 2 – quinta-feira, às 20h:

AzulEscuroQuasePreto - AzulOscuroCasiNegro (2006) Duração 105’. Direção de Daniel Sánchez Arévalo. Com Quim Gutiérrez, Marta Etura, Raúl Arévalo, Eva Pallarés.

Sinopse: AzulEscuroQuasePreto é um estado de ânimo, um futuro incerto, uma cor. Uma cor que às vezes não reconhecemos, que muda dependendo da luz, do prisma e da atitude com que se olhe. Uma luz que nos lembra que muitas vezes nos enganamos, e que às vezes as coisas não são da cor com que as vemos.

Depois de seu pai ter sofrido um derrame cerebral, Jorge foi obrigado a retomar seu emprego de faxineiro. Após passar os últimos anos trabalhando duro, cuidando de seu pai e terminando o ensino médio, Jorge, agora, quer tentar sua sorte de outra maneira. Por meio de seu irmão Antonio, que cumpre pena no presídio, ele conhece Paula, uma mulher com quem desenvolve um relacionamento incomum. Este encontro poderá ajudar Jorge a perceber que ele pode mudar o curso de sua vida, mas apenas se ele realmente quiser. Classificação 14 anos

Dia 3 – sexta-feira, às 20h:

O melhor de mim - Lo mejor de mi (2007). Duração 85’. Direção de Roser Aguilar. Com Marian Alvarez, Juan Sanz, Lluis Homar, Carmen Machi.

Sinopse: Quando era criança, Raquel não podia entender por que em toda parte se falava do amor: na rádio da casa, na televisão, nos filmes do sábado à tarde e, sobretudo, nas canções; e pensava em que aconteceria se não encontrasse ninguém que a amasse. Quando Raquel vai morar com Tomás, se verá obrigada a perguntar o que estaria disposta a fazer por amor. Classificação livre

Dia 4 – sábado, às 20h:

Eu sou a Juani - Yo soy la Juani (2006). Duração 90’. Direção de Bigas Lunas. Com Verônica Echegui, Laya Martí, Dani Martín.

Sinopse: Juani tem problemas em casa e briga com o namorado. Não há quem o ature. Estão juntos desde os quinze anos, seus ciúmes e indecisões são insuportáveis. Juani explode, deixa o namorado e decide fazer tudo aquilo que não fez enquanto perdia seu tempo com ele. Cheia de se conformar e de tanta tolice, o que ela quer é ir para a frente e triunfar nesta vida. Pretende ser atriz e que ninguém duvide, pois vai conseguir. Que esteja muito claro, ela é Juani e la Juani é demais. Classificação 14anos


Dia 5 – domingo, às 20h:

Salvador (Estória de um milagre quotidiano) - Salvador (Historia de un milagro cotidiano) – 2007. Duração 11’. Direção de Hwidar Abdelatif Com Nacho Fesneda, Orlín Morán, Carlos Merchán.



Sinopse: Uma criança brinca de esconde-esconde num vagão de trem. Em um trajeto idílico, todo mundo participa do jogo, à exceção de um passageiro. Inquieto e molesto, ele abandona o trem. O diretor Hwidar Abdelatif mostra o motivo de seu nervosismo em um poético e inquietante ‘flashback’. Este curta-metragem sugere uma idealização da trágica manhã do dia 11 de março de 2004, em Madri, e a necessidade de superação do trauma através da lembrança e da esperança. Classificação 14 anos

Tua Vida Em 65’ - Tu vida en 65' (2006).Duração 92’. Direção de María Ripoll. Com Javier Pereira, Oriol Vila, Marc Rodríguez, Tâmara Arias.

Sinopse: Em um domingo qualquer, três jovens lêem uma nota necrológica que pensam ser de um colega do colégio que eles perderam de vista há algum tempo. Eles se dirigem ao velório e percebem que foi um erro: aquele enterro não é do seu colega de colégio. A partir daí, a confusão e o acaso tecem uma estória de amizade, de amor e de morte. Classificação 14 anos

REALIZAÇÃO


ESCRITOR BRITÂNICO LANÇA LIVRO NO RIO

Chris Priestley autografa Contos de terror do tio Montague neste domingo, em Ipanema

A Editora Rocco promove neste domingo, 28 de setembro, a partir das 16h, na Livraria da Travessa de Ipanema (Rua Visconde de Pirajá, 572), um encontro com o premiado escritor e ilustrador britânico Chris Priestley, autor do lançamento Contos de terror do tio Montague, seu primeiro livro a ser publicado em português. Priestley autografa o livro e estará à disposição da garotada para um bate-papo informal sobre histórias de terror. A entrada é gratuita.

Contos de terror do tio Montague
promete captar a atenção da garotada com sua atmosfera sombria e elegante, resultado do casamento perfeito entre o texto afiado de Priestley e as charmosas ilustrações de David Roberts, na melhor linha dos clássicos de suspense. Herdeiro da tradição de Edgar Allan Poe e Montague Rhode James, o livro conta a história de um menino, Edgar, cujo tio, Montague – qualquer semelhança não é mera coincidência, mas uma homenagem aos mestres do mistério! – adorava entretê-lo com uma série de histórias arrepiantes. Edgar só não podia imaginar que o tio era, na verdade, o protagonista da mais surpreendente e terrível de todas as histórias...

Teco Cardoso e Orquestra À Base de Sopro no MON

Um dos nomes mais importantes do sopro no Brasil,

Teco Cardoso é o convidado da OABS



A Orquestra À Base de Sopro, do Conservatório de MPB, volta ao palco do Teatro do MON no fim de semana – dias 27 e 28 – tendo como ilustre convidado o flautista, saxofonista e mestre em outros instrumentos de sopros, Teco Cardoso. Juntos farão um show instrumental propositadamente aberto a todos os gêneros musicais, ou quase todos. “Não há uma linha de repertório, vamos tocar toada, frevo, marcha-rancho, samba”, explica o diretor artístico da OABS, Sergio Albach.

A sensação da noite, nas duas apresentações, será a estréia nacional de Brincando com Theo, de Lea Freire. A compositora e instrumentista é madrinha do garoto, filho de Teco e Mônica Salmaso. “A gente viu essa música nascendo com ele, a Lea tocando no piano... É erudita e popular, divertida, gostosa de ouvir e uma das mais complexas de tocar”, diz Teco Cardoso.

O envolvimento do músico com a OABS vem de algum tempo, ele explica. “Acompanho a orquestra de longe, sei da sua evolução pelas notícias que recebo dos amigos, da própria Lea, do André Mehmari. Então me senti honrado com o convite e já no primeiro ensaio, na primeira leitura gostei muito do grupo”, continua o músico.

Sergio Albach, por sua vez, comenta a importância de ter um solista da qualidade de Cardoso como convidado da OABS: “Como o Teco domina como poucos vários instrumentos do sopro, esta é uma maneira de mostrar à orquestra as possibilidades a mais que se pode conseguir, tendo como exemplo um dos maiores músicos do país.” O maestro destaca ainda que “a cada encontro com esses artistas convidados, a orquestra sobe um degrau, pois a experiência não se resume apenas ao concerto, mas tem também uma grande troca de conhecimentos, a convivência nos bastidores.”

Repertório – O programa do concerto da OABS com Teco Cardoso reúne nove números musicais: Amalgamation, de Moacir Santos, Toada, de André Mehmari – que está concorrendo ao Grammy, com o Quinteto Nonada, do qual Teco Cardoso é um dos integrantes –, O sorriso do gordo (feito para Arismar do Espírito Santo) e Brincando com Theo, de Lea Freire, Amazon River, de Dori Caymmi, Frevo, de Egberto Gismonti, Brasis, de Osiel Fonseca (músico curitibano falecido neste ano), A hora do povo, de Guilherme Vergueiro e Devagar com o andor , de Rogério Boter Maio.





Serviço:

Orquestra À Base de Corda e Teco Cardoso

Apresentações: 27 e 28 de setembro de 2008. Sábado (27), às 20h, e domingo (28), às 19h.

Local: Teatro do Museu Oscar Niemeyer – R. Marechal Hermes, 999.
Ingressos à venda de 22 a 26 de setembro na Capela Santa Maria (rua Conselheiro Laurindo, 273), em horário comercial. R$ 10 e R$ 5 (mais um quilo de alimento não perecível)

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

SINAL FECHADO OUTRA VEZ.








Sinal Fechado: a música popular brasileira sob censura (1937-45/1969-78)
de Alberto Moby Ribeiro da Silva
2ª edição
226 páginas


A edição “mantém as reflexões originais, que continuam atuais – ou, pelo menos, não encontraram ainda outro pesquisador que se tenha prestado a discuti-las, criticá-las e/ou aprofundá-las a ponto de se converterem em contribuições significativas para a historiografia brasileira sobre o tema.” Alberto Moby Ribeiro da Silva


Desde que lançou Sinal Fechado: a música popular brasileira sob censura (1937-45/1969-78), em 1994, o jornalista-historiador Alberto Moby Ribeiro da Silva não parou de receber perguntas sobre quando o livro, rapidamente esgotado, seria reeditado. Treze anos depois, a Editora Apicuri dá a resposta positiva para a tão esperada “nova edição”, que cede à tentação autor de mencionar trabalhos mais recentes, sem os quais pensar o tema hoje em dia seria, segundo ele, uma tarefa incompleta.

APRESENTAÇÃO DA OBRA NAS PALAVRAS DO AUTOR

No Brasil, a música popular, provavelmente mais do qualquer outra manifestação cultural, por sua ampla penetração na camada média urbana da população, tem tido papel fundamental na formação de uma identidade nacional. Por isso, em sua face mais autoritária, o Estado brasileiro dedicou a ela especial atenção, vendo-a ora como instrumento de ação política e propaganda ideológica, ora como obstáculo à sua concretização.

Sinal Fechado é um estudo comparativo dos dois períodos em que, no século XX, o Estado brasileiro se apresentou explicitamente à sociedade como autoritário – o Estado Novo, de 1937 a 1945, e o regime militar pós-1964, particularmente durante a vigência do Ato Institucional n° 5, entre 1969 e 1978 –, através das suas relações com a música popular. No livro é analisada a censura estatal à música popular brasileira, demonstrando que, em sua relação com a indústria fonográfica e de espetáculos, com os cantores e compositores e com o público ouvinte, o Estado Novo foi capaz de cooptar o mundo musical com o objetivo de transformá-lo em porta-voz de seu projeto de um “Brasil Novo”, enquanto ao regime militar coube lançar mão da violência da coerção, com o objetivo de silenciar qualquer músico que pudesse representar um obstáculo a seus objetivos políticos.

Entre os elementos inovadores de Sinal Fechado, vale destacar a discussão sobre a sigla MPB, durante a ditadura militar, que é vista pelo autor não simplesmente como abreviatura da expressão música popular brasileira, mas como uma espécie de “movimento” de resistência cultural ao regime, em torno do qual se agrupou (ainda que não necessariamente de forma intencional e programática) uma quantidade expressiva de compositores, cantores e músicos e também parte significativa de seus públicos. Neste sentido, o “movimento” MPB não definiria nenhum ritmo, nenhum estilo musical em particular e nem sequer uma temática específica, mas uma vontade de jogar “no campo do adversário”, como dizia o compositor e cantor Gonzaguinha na música Geraldinos e arquibaldos, de 1975.

SOBRE O AUTOR

Alberto Moby Ribeiro da Silva é carioca, jornalista, licenciado em História, mestre e doutor em História Social pela Universidade Federal Fluminense.

um lançamento da

Prêmio Jabuti 2008 já tem seus vencedores na 50ª edição







O Prêmio Jabuti já tem os vencedores das 20 categorias definidos desde a tarde desta terça-feira (23), quando foi realizada, na sede da Câmara Brasileira do Livro, a abertura dos envelopes e contagem votos dos 60 jurados – três para cada categoria. Na cerimônia de entrega das estatuetas, marcada para 31 de outubro, na Sala São Paulo, serão revelados os melhores Livros do Ano nas categorias Ficção e Não-Ficção, resultado de uma votação dos jurados e dos associados da CBL, Snel (Sindicato Nacional dos Editores de Livros), ANL (Associação Nacional de Livrarias) e ABDL (Associação Brasileira de Difusão do Livro).

Na edição de 50 anos do Prêmio, a comissão julgadora analisou 2.141 obras – 4% a mais que em 2007, quando participaram 2.052 publicações. A premiação total do Jabuti 2008 é de R$ 120 mil - o primeiro lugar de cada uma das 20 categorias recebe R$ 3 mil. Os autores dos melhores livros do ano de Ficção e Não-Ficção recebem R$ 30 mil cada um. Segundo e terceiros lugares recebem um troféu.

O curador do Prêmio Jabuti, José Luiz Goldfarb, destaca a multiplicidade de editores entre os finalistas. “O Jabuti nasceu com a missão de promover o mercado editorial no País e nada mais gratificante do que ver tantas editoras diferentes nas 20 categorias. Isso demonstra a diversidade do mercado e o fortalecimento do setor nesses 50 anos do Prêmio”.

Rosely Boschini, presidente da Câmara Brasileira do Livro, lembra que nesses 50 anos o Jabuti transformou-se num instrumento democrático para promoção do melhor da cena literária brasileira, divulgando grandes escritores e lançando aqueles que ainda não são conhecidos do público. “O Jabuti homenageia os diversos segmentos e todas as áreas de produção de um livro, desde a melhor capa, passando pela ilustração e projeto gráfico, até a melhor obra. Por isso, o Prêmio ganhou status de autêntico patrimônio cultural brasileiro, reconhecido por todos que têm no livro um objeto de paixão”.

História

O Jabuti foi criado em 1958 por Edgard Cavalheiro, então presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), com o objetivo de prestigiar e difundir o trabalho de escritores, editores, livreiros, ilustradores e gráficos, nos moldes do que se fazia em vários países da Europa. O jabuti é um animal que se caracteriza pela paciência e tenacidade, por isso foi escolhido para simbolizar a atividade dos nossos profissionais do livro.

A primeira cerimônia de entrega do Prêmio Jabuti aconteceu no fim de 1959, no auditório da CBL, e Jorge Amado foi o vencedor, com o romance “Gabriela, Cravo e Canela”. Nesses 50 anos, o Jabuti recompensou autores como Carlos Drummond de Andrade, Ferreira Gullar, Celso Furtado, João Cabral de Melo Neto, Nélida Piñon, João Ubaldo Ribeiro, Ruy Castro, Milton Hatoum, Lygia Fagundes Telles, Cecília Meirelles, Otto Maria Carpeaux, Celso Lafer, Gilberto Freyre, Dalton Trevisan, Antonio Candido, Cassiano Ricardo, Milton Santos, Ruth Rocha, Haroldo de Campos, Raduan Nassar, Paulo Duarte, Charles Kiefer entre muitos outros.

A lista completa com os três primeiros lugares de cada categoria, com seus respectivos autores e editoras, também está disponível no endereço http://www.premiojabuti.com.br/BR/resultadofase2.php.

Orquestra de Câmara destaca violinistas curitibanos


Priscila Vargas e Paulo André Hübner, jovens instrumentistas de renome nacional, apresentam-se com a Orquestra de Câmara de Curitiba, sob a direção musical de Marco Damm.



Obras de Franz Schubert, Marlos Nobre e Giuseppe Tartini integram o repertório que a Orquestra de Câmara de Curitiba executa neste fim de semana, tendo como solistas os violinistas curitibanos Priscila Vargas e Paulo André Hübner. O concerto, que integra a temporada 2008 patrocinada pela Volvo, tem apresentações às 20h de sexta-feira (26), na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, e às 18h30 de sábado (27), na Capela Santa Maria – Espaço Cultural, sob a direção musical de Marco Damm.

O programa reúne as seguintes composições para violino e orquestra: Rondo em Lá Maior, de Franz Schubert (1797 – 1828); Desafio 3, de Marlos Nobre (1939); e Concerto em Sol Menor, de Giuseppe Tartini (1692 – 1770). A música de Franz Schubert, obrigatória para o desenvolvimento artístico do violinista, está presente nesse concerto em uma obra cujas dificuldades técnicas estão disfarçadas pela graça e charme vienenses de seus temas.

O compositor brasileiro Marlos Nobre comparece com uma obra bastante popular, que já foi transcrita para diversos instrumentos. A própria música explica seu título: um desafio entre solista e orquestra, evocando a forma usada entre os repentistas. Finalizando o repertório, uma obra de Giuseppe Tartini, compositor reconhecido pela contribuição histórica ao desenvolvimento do virtuosismo do violino. Seus concertos continuam sendo uma das maiores provas para qualquer violinista.



Os convidados – O concerto da Orquestra de Câmara de Curitiba tem como convidados jovens instrumentistas curitibanos que se destacam nacionalmente. A violinista Priscila Vargas, de 21 anos, é formada pelo Curso Superior de Violino da Escola de Música e Belas Artes do Paraná, onde também cursa pós-graduação em Análise Musical e Música de Câmara, além de aperfeiçoar-se com violinistas como Gyulla Stuller (Suíça), Domenico Nordio (Itália), Régis Pasquier (França) e com o Quarteto Boticelli (EUA). Ostentando várias premiações nacionais, Priscila atuou como solista em importantes orquestras, em diversas cidades brasileiras. Atualmente, é spalla da Orquestra Sinfônica do Paraná.

Paulo André Hübner nasceu em 1989 e ingressou na Escola de Música e Belas Artes do Paraná em 1996, onde cursa o bacharelado em violino, complementando o aprendizado por meio de aulas regulares com Paulo Bosísio. Em 2003, obteve o terceiro lugar no XVI Concurso Jovens Instrumentistas do Brasil (Piracicaba/SP) e, no ano passado, venceu o 12º Concurso Nacional de Cordas Paulo Bosísio (Juiz de Fora/MG).



Marco Damm – Formado em violino pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná, onde também leciona, Marco Vinícius Damm tem mestrado em Música pela Escola Nacional de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O músico aperfeiçoou conhecimentos com Mary Bargh, Ruggiero Ricci e Max Rostal e atua como professor convidado de cursos e festivais em todo o Brasil. Atualmente, Marco Damm desenvolve, em parceria com o professor Paulo Bosísio, um curso regular de Técnica e Alta Interpretação Violinística para Jovens Talentos. Damm foi eleito ensaiador da Orquestra de Câmara de Curitiba, nas temporadas 2008 e 2009.



Serviço: Apresentações da Orquestra de Câmara de Curitiba, sob a direção musical de Marco Damm, dentro da temporada 2008 de concertos, patrocinada pela Volvo. Data: 26 de setembro de 2008 (sexta-feira), às 20h Local: Paróquia Nossa Senhora Aparecida (Avenida Nossa Senhora Aparecida, 1.637 – Seminário) Entrada franca Data: 27 de setembro de 2008 (sábado), às 18h30 Local: Capela Santa Maria – Espaço Cultural (Rua Conselheiro Laurindo, 273 – Centro) Ingressos: R$ 10 ou R$ 5 (mais um quilo de alimento não perecível)

Seminario Regional de Filosofia em Sao Paulo

Nova Cartografia une Paloma Vidal e Maurício Mendonça

Acontece no Palacete Wolf, às 19h30 desta quinta-feira (25), o encontro entre os escritores Paloma Vidal, de São Paulo (SP), e Maurício Arruda Mendonça, da cidade paranaense de Londrina.

Nesta quinta-feira (25), às 19h30, acontece mais uma edição do projeto literário Nova Cartografia. O encontro, no Palacete Wolf (Praça Garibaldi, 7), conta com a participação dos escritores Paloma Vidal, que vive em São Paulo (SP), e Maurício Arruda Mendonça, de Londrina (PR), sob mediação da poeta Jandira Kondera, de Curitiba. A entrada é franca.

Criado com o propósito de promover o encontro entre um escritor paranaense e um autor de outra região do Brasil, o projeto literário Nova Cartografia, abre espaço para que os convidados façam análises e leituras mútuas de suas obras. O objetivo é incentivar diálogos regionais entre produtores de literatura e apresentar à população curitibana tanto a produção do Paraná quanto de outros estados.

Nascida em Buenos Aires (Argentina), em 1975, mas vivendo em São Paulo há muitos anos, Paloma Vidal já conquistou espaço no cenário literário brasileiro. Publicou o ensaio A História em seus Restos: Literatura e Exílio no Cone Sul (Annablume – 2004) e os livros de contos A Duas Mãos (7 Letras – 2003) e Mais Ao Sul (Língua Geral – 2008). Participou das antologias 25 Mulheres Que Estão Fazendo A Nova Literatura Brasileira (Record – 2004), Paralelos: 17 Contos da Nova Literatura Brasileira (Agir – 2004) e A Visita (Barracuda – 2005).

Maurício Arruda Mendonça, 44 anos, nasceu em Londrina (PR) e trabalha com literatura desde a década de 1980. Tem três livros de poesia publicados: Eu caminhava assim tão distraído, A Sombra de um Sorriso e Epigrafias, além de três livros de tradução enfocando as obras de poetas como Sylvia Plath, Arthur Rimbaud e Nenpuku Sato, introdutor do haicai em língua portuguesa no Brasil, do qual Mendonça realizou o primeiro estudo e antologia poética.

Há 13 anos a atividade profissional de Maurício Mendonça é o teatro, atuando como dramaturgo colaborador do Armazém Companhia de Teatro. O grupo, nascido em Londrina e radicado no Rio de Janeiro, tem 20 anos de atividades completadas em 2007 e é considerado uma das mais importantes companhias do teatro brasileiro da atualidade. Como dramaturgo também escreve para outros atores e companhias, caso dos textos criados especialmente para Mario Bortolotto (Kerouac) e para o Grupo Galpão (Pequenos Milagres).

A dramaturgia de Maurício Arruda é calcada nos valores poéticos da palavra e na criação de tramas que têm o tempo narrativo como questão central. O autor publicará ainda este ano o livro de contos Londrinenses, sua primeira incursão na prosa, e em 2009, lançará uma novela escrita em parceria com Rodrigo Garcia Lopes.

Serviço:

Projeto Nova Cartografia, com Paloma Vidal (São Paulo/SP) e Maurício Arruda Mendonça (Londrina/PR)

Mediação: Jandira Kondera (Curitiba/PR)

Data e horário: 25 de setembro de 2008 (quinta-feira), às 19h30

Local: Palacete Wolf (Praça Garibaldi, 7 – Setor Histórico)
Entrada franca

Hierarquia e solidariedade :


livro descreve a dinâmica da formação das comunidades escravas do século XIX


De la
ços e de nós de Carlos Engemann

200 páginas

Com o sugestivo título De laços e de nós, o livro de Carlos Engemann trata da dinâmica da formação de comunidades escravas no Sudeste brasileiro do século XIX. Revela aspectos singulares dessas comunidades de maneira clara e objetiva, por meio de um texto que mantém o interesse do leitor até a última página.

Em sua pesquisa, Engemann fez uso de registros de batismos e de matrimônios e outros aspectos da vida no cativeiro, que são, em suas palavras, “peças de um grande mosaico da vida social e cultural dos escravos”. E, por ter focado suas análises em escravarias de grandes fazendas, considerando que estas apresentavam paroxismo com as demais, podemos ampliar o alcance do seu trabalho.

Um dos resultados finais mostra que se havia hierarquia que apartava os homens dentro do cativeiro, provocando a violência e a disputa, também havia solidariedade, que apresentava resultados concretos, gerando melhoria nas condições materiais de vida.

SOBRE O AUTOR
Carlos Engemann é Doutor em História Social pela UFRJ e participa de projetos de pesquisa na área de escravidão no Brasil desde 1998. Foi agraciado com os prêmios: Antônio Pedro de Alcântara (Educação Patrimonial), concedido pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro; Dignidade Acadêmica no grau Magna Cum Laude, da Universidade do Brasil/UFRJ; Joaquim Gomes de Souza, UFRJ/Fundação Universitária José Bonifácio.

UM LANÇAMENTO DA

Livro sobre artesãos do século XVIII desvenda a cidade onde desembarcou a Corte portuguesa de D. JOÃO




Artífices do Rio de Janeiro (1790-1808)
de Carlos A. M. Lima


332 páginas

Na correria dos carros, entre um e outro sinal fechado, quem percorre as ruas centrais do Rio de Janeiro já deve ter perguntando o que a Corte portuguesa encontrou ao desembarcar em terras brasileiras. Em outras palavras, quais eram as condições da sociedade colonial na passagem do século XVIII para o XIX, na cidade do Rio de Janeiro?

Segundo Carlos A. M. Lima – professor do departamento de História da Universidade Federal do Paraná – pode-se entender o cotidiano da cidade observando os artífices (ferreiros, marceneiros, calceteiros, barbeiros, entre outros) que ali viviam. O resultado dessa observação tomou forma de livro – Artífices do Rio de Janeiro (1790-1808).


A CIDADE E OS SEUS ARTÍFICES

Era entre os artesãos, em meio à variedade de ricos, pobres, legais, ilegais, imigrantes portugueses, escravos (alforriados ou não) e migrantes internos que e muitos dos artistas coloniais se identificavam.

A posição na hierarquia desses artífices, escravos ou não, e a mobilidade social que alguns deles conquistavam, também é abordada no texto – produto de pesquisa minuciosa –, que é recheado de análises, gráficos e tabelas. Além disso, discorre sobre o que ocorria com as corporações de ofício em virtude da escravidão e a tensão que havia entre a regulação da atividade pelo Estado e pelo restrito mercado da cidade. Embora a sociedade fosse escravista, a maioria da população era livre e muitos dos artistas coloniais se identificavam como artesãos.

Nas palavras de Hebe Mattos, professora Titular de História do BrasiL da Universidade Federal Fluminense, que apresenta o livro, “Especialmente evocativa é a imagem utilizada [pelo autor] da pirâmide torta, pois os mais bem sucedidos tendiam a aproximar-se da situação de rentistas e homens de negócio, afastando-se do artesanato”.

Através dos artesãos, cuja atividade estava exatamente na fronteira entre cidade e campo, também pode ser vista a preponderância da cidade do Rio de Janeiro. Manifestada antes da chegada da Corte e mantida a partir da Independência do Brasil, tal preeminência pode ser identificada na observação de muitas edificações das ruas centrais da cidade, onde constatamos um patrimônio histórico construído por artesãos, algumas vezes para suas próprias instituições. É o caso, por exemplo, da igreja de São José, que tem sua origem nas Irmandades. Mas isso é assunto para um próximo livro.

SOBRE O AUTOR
Carlos Lima é doutor em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e professor do Departamento de História da Universidade Federal do Paraná, desde 1996. Autor de outros textos já publicados sobre irmandades negras, escravidão no Brasil, libertos e negros livres na época da escravidão, imigração no período colonial, entre outros, direcionou sua pesquisa para as concepções acerca dos escravos africanos e ocupação da região Sul.

Um lançamento da




segunda-feira, 22 de setembro de 2008

MACHADO IMPERDÍVEL

CONVITE
























no Stand 33
estão nossos amigos da Sá Editora

Reynaldo Jardim e Sergio Moura revivem ARTSHOW no Hora da Prosa

Os artistas analisam o evento multimídia que agitou o TUC em 1978


Um encontro artístico marcado para quarta-feira, dia 24, no TUC, às 19 horas, deverá reunir na platéia boa parte da arte curitibana. No palco, como palestrantes, estarão o artista gráfico e poeta Reynaldo Jardim e o artista plástico Sergio Moura, mas a noite contará também com participações especiais de Rogério Dias, Solda, Rettamozzo, Geraldo Leão e Rossana Guimarães.

O ARTSHOW – 30 anos depois, marca mais uma edição do programa Hora da Prosa, que tem por objetivo incentivar debates e discussões sobre temas que envolvem o patrimônio cultural de Curitiba. Na oportunidade será feita uma análise do evento multimídia que, em 1978, agitou a Galeria Julio Moreira - TUC, reunindo artistas, produtores culturais e transeuntes numa ação coletiva de arte social. A idéia é avaliar a importância do acontecimento e sua ressonância na produção cultural nas gerações seguintes.

O local não poderia ser outro. Foi ali no TUC, em 1978, que aconteceu o primeiro encontro – batizado de ARTSHOW: projeto alternativo –, como uma grande festa, criada e coordenada por Sérgio Moura, que durou uma semana. “Foi um acontecimento multimídia”, diz Moura. Para ali foram não só artistas e produtores culturais, mas também o público em geral, transformando a efervescência “numa ação coletiva de arte social”, conforme as palavras do artista.

A Galeria Júlio Moreira e o TUC transformaram-se naqueles dias em palco de uma explosão de criatividades: ao mesmo tempo em que alguns desenhavam, outros pintavam, filmavam, fotografavam, produziam serigrafias, projetavam imagens, declamavam, cantavam, dançavam.

Lá estiveram, entre outros, além dos artistas já citados, os irmãos Wagner, Geraldo Leão, Aparecido Marques, Lucília Guimarães, Roberto Pitella, Priscila Sanson, Eduardo Nascimento, Alberto Viana, João Urban, Claude Urban, Alice Ruiz, Nivaldo Lopes, Caco Machado, Marcos Bento, Telma Serur, Oscar Betio, Roberval Santos.



Sergio e Reynaldo – Sergio Moura iniciou-se nas artes plásticas no final da década de 1960, em Manaus, quando pintava abstratos. Deixou a terra natal e passou por Brasília, Rio de Janeiro, Ouro Preto, Salvador. Nessa época trabalhava com arte ambiental, conhecida atualmente como instalação. Fixou-se em Curitiba, onde cursou a Escola de Música e Belas Artes do Paraná. É membro fundador da Associação Profissional dos Artistas Plásticos do Paraná, membro da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas, além de autor de vários projetos e ações coletivas de arte na rua. Também realiza palestras sempre enfocando a arte como essencial ao aprimoramento humano

Reynaldo Jardim, aos 81 anos, mantém-se ligado à poesia e à imprensa com a mesma vitalidade de décadas passadas. Foi ele o criador e editor do Caderno B, do Jornal do Brasil, e do jornal-escola O Sol, considerado marco na história da imprensa brasileira. A publicação foi citada na música Alegria, alegria de Caetano Veloso (O Sol nas bancas de revistas, me enche de alegria e preguiça) e rendeu um documentário de Tetê Moraes e Martha Alencar: Sol: caminhando contra o vento. Autor de uma dezena de livros, Jardim lançou recentemente A Lagartixa Escorregante na Parede de Domingo.



Serviço:

Hora da Prosa – Conversas sobre patrimônio cultural

ARTSHOW – 30 anos depois - com Sergio Moura e Reynaldo Jardim, participações especiais de Rogério Dias, Solda, Rossana Guimarães, Rettamozzo e Geraldo Leão.

Local: TUC – Teatro Universitário de Curitiba (Galeria Julio Moreira, s/n – Setor Histórico)

Data e horário: dia 24 de setembro (quarta-feira), às 19h

Entrada franca

CARLOTA JOAQUINA, A RAINHA DEVASSA



CARLOTA JOAQUINA, A RAINHA DEVASSA de João Felício dos Santos

Páginas : 432


Carlota Joaquina – A rainha devassa, de João Felício dos Santos, que retrata de forma literária os anos em que a Família Real permaneceu no Brasil. Centrado na figura da esposa de D. João VI, a obra revela, através de uma linguagem saborosa, todas as particularidades de uma das mais controversas personagens da história nacional.

Carlota era dotada de profunda personalidade: inteligente e culta, corajosa e sagaz, conhecedora de diversas línguas e influente nas decisões de D. João. Por outro lado, era uma mulher terrivelmente infiel (tendo aventuras tanto com homens da nobreza quanto com criados), injusta, inescrupulosa, feia e pouquíssimo asseada. De 1908 a 1821, João Felício narra o curioso dia-a-dia, coberto de intrigas e traições, mas também diversão e alguma política, da idiossincrática rotina brasileira da rainha que, ao voltar a Portugal, para não contaminar o solo da metrópole com a poeira daquela colônia, atirou suas sandálias ao mar.

Um Lançamento

A CASA DO MORRO BRANCO

A CASA DO MORRO BRANCO
de Rachel de Queiroz

Páginas - 144
Formato : 14X21

Rachel de Queiroz se consagrou como um dos grandes nomes na narrativa longa brasileira a partir da publicação do romance O Quinze, em 1930. A antologia de textos curtos A casa do Morro Branco, no entanto, vem provar que a autora também dominava perfeitamente a arte dos contos e crônicas. São 14 histórias na qual a autora expõe todas as características que marcaram obras renomadas como João Miguel, Caminho de pedras, As três Marias e Memorial de Maria Moura: análises literárias da existência humana, em seus aspectos políticos e pessoais. É um relançamento que dá continuidade ao resgate pela Editora José Olympio da obra de Rachel e de outros autores.

UM LANÇAMENTO

domingo, 21 de setembro de 2008

Lançamento do livro "Invenções de Si em História de Amor: Lota & Bishop"

O lançamento do livro "Invenções de Si em História de Amor: Lota & Bishop", de Nadia Nogueira será realizado em Campinas – SP, na Livraria Cultura, no dia 03/10/2008 e no Rio de Janeiro – RJ, na Livraria Argumento, no dia 09/10/2008, em Copacabana.

No Lançamento do Rio de Janeiro haverá um debate sobre "Lota e Elizabeth: a reinvenção de si".
sendo os debatedores:
Paulo Henriques Britto, tradutor de Elizabeth Bishop, Nadia Nogueira, autora do livro e um representante do Grupo Arco Íris e da Parada Gay para falar sobre a “Parada do Orgulho GLBT-Rio 2008, que será realizada no dia 12 de outubro e a importância do livro para a visibilidade lésbica.

DOIS INFANTO JUVENÍS

Dois lançamentos da






confira aqui

André Malinski questiona o divino no Memorial de Curitiba


Humor e ironia permeiam os trabalhos reunidos na mostra “Deus mora nos detalhes”, que será aberta às 19h desta terça-feira (23).


No Salão Paraná do Memorial de Curitiba acontece, a partir das 19h desta terça-feira (23), a exposição Deus mora nos detalhes, que reúne trabalhos do artista plástico André Malinski. São nove telas com recortes de imagens de santos impressas em tecido e complementadas com bordados, além de livro de fotografias e um vídeo que integram o projeto desenvolvido pelo artista, desde o último mês de junho. A mostra pode ser vista até o dia 23 de novembro, com entrada franca.
A exposição fecha o roteiro de ações que André Malinski comandou ao longo de quatro meses. Durante esse período, o artista espalhou pela cidade trabalhos que tinham como suportes outdoors em áreas de grande circulação da população. As obras, com recortes de imagens de santos populares, criavam um contraste com o caos visual dos anúncios comerciais. A intenção do artista era intrigar o espectador e levá-lo a resgatar memórias de outros lugares e tempos. A interação inusitada a céu aberto, entre obras de arte e transeuntes, foi registrada em vídeo que agora será exibido no Memorial de Curitiba, ao lado dos trabalhos reproduzidos em painéis bordados.

As telas receberam os nomes de Asas de Jorge, Riqueza da Cabeça, Entrega de Jesus, Amor de Sebastião, Gesto de Cosme, Penitência de Catarina, Afeto de Benedito, Urgência de Expedito e Domínio das Graças.
A série de outdoors teve início na Rua Ubaldino do Amaral, esquina com Rua XV de Novembro, de 7 a 20 de junho. Depois, esteve em cartaz, de 21 de junho a 4 de julho, na Rua Martim Afonso, próximo à Rua Brigadeiro Franco. O terceiro outdoor foi instalado na Rua Alferes Poli, próximo à Avenida Iguaçu, de 19 de julho a 1º de agosto. No período de 13 a 26 de setembro, as obras podem ser vistas na Rua 24 de Maio, nas proximidades da Avenida Visconde de Guarapuava, e na Rua Martim Afonso, perto do Supermercado Condor. Finalmente, de 27 de setembro a 10 de outubro, intervenção na Rua Almirante Tamandaré, esquina com a Rua Itupava.

Na mostra o público ainda terá a oportunidade de conferir um livro de fotografias dos outdoors nas ruas, ao lado de trabalhos imaginários, criados a partir de fotomontagens. “A intenção é transportar a pessoa para o ambiente urbano da exposição”, explica André Malinski.


Sagrado e profano – André Malinski trabalha com o conceito do sagrado no limiar do profano e seus trabalhos podem ser vistos como grandes “retalhos espirituais”, que fazem parte de uma colcha a ser costurada. As obras-retalhos alteram a divindade atribuída às imagens, provocam novas leituras e destacam o lúdico.

Fernando Bini, professor e crítico de arte, diz da criação de Malinski: “Como herdeiro da pop-art, Malinski utiliza do humor e da ironia, mas também do kitsch que vem com ela. A comunicação de massa, os quadrinhos e figurinhas, ou mesmo os “santinhos”, são transformadas em figuras políticas e religiosas, signos plásticos de dimensão narrativa. Nas figuras de Malinski, estas figuras de caráter barroco/kitsch se associam ao espetáculo para mostrar as contradições cultuais e, entre mitologia e religião, facilmente chega-se a uma forma de erotismo kitsch.”
O curador do evento, Marco Antonio Teobaldo, destaca que o projeto gera questionamentos sobre a sociedade de consumo, quando “André Malinski recorta cirurgicamente determinados elementos das imagens de santos populares e os converte em novas cenas, que são ampliadas e dispostas como que estivessem em um templo. Do lado de fora, o artista envolve a multidão do caos urbano com o seu humor, onde substitui os anúncios de propagandas por suas obras.” Ainda, segundo o curador, “o que era imperceptível se tornou importante e é por esta razão que o artista nos faz crer que, se o divino existe, certamente ele mora nos detalhes”.



O artista – Aluno do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Paraná, de 1984 a 1987, André Malinski integrou o Ateliê Livre Edílson Viariato, nos períodos de 1999 a 2002 e de 2005 a 2006. Em 2002, freqüentou o Seminário de História da Arte Contemporânea, comandado por Rodrigo Naves. No ano seguinte, participou do projeto 8 Semanas de Arte, da Fundação Cultural de Curitiba, sendo selecionado por Ivo Mesquita, Moacir dos Anjos e Paulo Herkenhoff para visita em seu ateliê.

Na relação das principais exposições individuais estão Céu de Anil (2007). Desaparecidas (2005), Sagrados Corações (2002), Grato Maria Bueno (2001) e Anilina (2000). Das participações internacionais de André Malinski, destaque para Arte Contemporânea Brasileira Emergente Espacio Menosuno (Madri/Espanha – 2008), Muestra Internacional de Arte Postal – Prêmio Convivência (Celta/Espanha – 2006/07) e Artistas Paranaenses na Casa do Brasil (Madri/Espanha – 2005).

Entre as diversas premiações do artista destacam-se o Prêmio Aquisição 38° Salão de Arte Contemporânea (2006 – Piracicaba/SP – obras em acervo), Grande Prêmio Viagem a Paris (França) do VI Salão Graciosa de Artes Plásticas (2003 – Curitiba/PR), Prêmio Aquisição 5º Salão de Arte Religiosa - PUC (2001 – Curitiba/PR – obras em acervo), Grande Prêmio Viagem a Nova Iorque (EUA) do II Salão Graciosa de Artes Plásticas (2000 – Curitiba/PR – obras em acervo), Acervo Geral de Artes Plásticas do Centro Cultural Brasil – Espanha (2000 – Madri/Espanha) e Prêmio Aquisição 28º Salão de Arte Contemporânea (2000 – Santo André/SP – obras em acervo).



Serviço: Exposição do Projeto Deus mora nos detalhes, do artista plástico André Malinski Local: Salão Paraná do Memorial de Curitiba (Rua Claudino dos Santos, 79 – Setor Histórico) Data: de 23 de setembro (abertura às 19h) a 23 de novembro de 2008 Horário de visitas: Horário: de terça a sexta, das 9h às 12h e das 13h às 18h; sábados e domingos, das 9h às 15h Entrada franca

Livro Falante lança audiolivros de Machado de Assis na Livraria da Vila e promove bate-papo com Rafael Cortez



No próximo dia 30 de setembro, terça-feira, às 19h00, na Livraria da Vila da alameda Lorena, em São Paulo, a editora Livro Falante lança três obras de Machado de Assis em audiolivros: O Alienista, Dom Casmurro e Memórias Póstumas de Brás Cubas. Na ocasião o ator e jornalista Rafael Cortez, repórter do programa CQC da TV Bandeirantes, que fez a leitura destas três obras do mestre da literatura, vai participar de um bate-papo sobre esse seu trabalho, sua experiência em gravar estes audiolivros e explicar porque é tão "louco por Machado", como ele mesmo diz. A Livraria da Vila fica na alameda Lorena, 1731 - Jardins, em São Paulo, telefone: (11) 3062-1063.

Três Machados falados

O Alienista, Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro narrados por Rafael Cortez


Considerado por muitos como o maior escritor brasileiro de todos os tempos, Machado de Assis sempre ganha novas edições impressas e versões para os mais diferentes meios de expressão artística. Faltava apenas um Machado em áudio, em MP3, lido por um ator jovem e talentoso. Ator, violonista clássico e jornalista, Rafael Cortez atuou em peças infantis e adultas. Na televisão, iniciou sua carreira fazendo sucesso no programa CQC, da TV Bandeirantes.

No audiolivro O Alienista, a leitura de Rafael Cortez, que se diz "louco por Machado", é fluida, como se as palavras tivessem vivido dentro dele desde as primeiras leituras na escola, as releituras de adulto, desde sempre. Nos momentos decisivos da obra, Rafael Cortez encontra o melhor timbre e a entonação perfeita para deixar tudo bem claro para o ouvinte.

Em O Alienista, Machado de Assis ironiza o conceito de loucura e o poder do conhecimento científico. No conto, o médico Simão Bacamarte funda um hospício e passa a internar nele todos aqueles que julga loucos. O procedimento leva a um desfecho inesperado.

Já Dom Casmurro tem como matéria-prima os meandros mais profundos da mente de um homem apaixonado, onde nasceu a dúvida com relação à traição da esposa. Trata-se de um dos mais importantes romances da literatura mundial. Neste audiolivro, Rafael Cortez deixa-se sentir o amor de Bentinho, entrega-se a sua paixão e mergulha totalmente nas suas dúvidas, amando e odiando Capitu e Escobar, conforme lhe passam idéias pela mente.

No romance Memórias Póstumas de Brás Cubas o defunto Brás Cubas conta a história da sua vida a partir do túmulo. O livro é marcado pelo humor, pela ironia e pela ousadia em termos de forma e linguagem. A obra no formato de audiolivro propõe-se a respeitar e a reproduzir as "travessuras" da obra escrita. Para isso, Rafael Cortez, além das ferramentas de ator, empunhou seu violão e resolveu com música e com ritmo todas as inovações formais propostas pelo mestre da literatura. O ator volta desse mergulho com a obra completa, ora doce, ora angustiada, para o ouvinte. Quem escuta entende o que ele quer dizer quando afirma ser "louco por Machado". O ator volta desse mergulho com a obra completa, ora doce, ora angustiada, para o ouvinte. Quem escuta entende o que ele quer dizer quando afirma ser "louco por Machado".


LANÇAMENTOS DA