segunda-feira, 24 de junho de 2013

Dois livros de de Aydano Roriz

Por duas ocasiões, os holandeses tentaram se estabelecer no Nordeste brasileiro: em 1624 na Bahia e em 1630 em Pernambuco. Os motivos dessas investidas: parceiros dos portugueses no comércio de açúcar e escravos, os holandeses tiveram seus interesses econômicos prejudicados quando os portugueses passaram,em 1580, o trono português para a Coroa Espanhola.

Como eram rivais dos espanhóis, os holandeses não só perderam o comércio de açúcar, como também foram proibidos de aportar em terras portuguesas.

Para tentar recuperar seus negócios na África e na América, em 1621 o governo e um grupo de companhias holandesas fundam a Companhia das Índias Ocidentais (espécie de empresa comercial, militar e colonizadora) e partem para as investidas.

A primeira tentativa dos holandeses em ocupar o Nordeste brasileiro ocorreu em maio de 1624, quando eles atacam e ocupam Salvador, Bahia, cidade da qual seriam expulsos em abril de 1625, depois de um mês de lutas contra as tropas luso-espanholas.

Em fevereiro de 1630, acontece a segunda investida: chega ao litoral pernambucano uma esquadra de 56 navios da Companhia das Índias Ocidentais e os holandeses ocupam Olinda e Recife.

A ocupação não é total, porque no Arraial do Bom Jesus, a 6 km do Recife, guerrilhas são comandadas por luso-brasileiros como Henrique Dias, Martin Soares Moreno e Felipe Camarão.

Em janeiro de 1637, o conde João Maurício de Nassau-Siegen chega ao Recife trazendo um grande contingente militar; em pouco tempo consegue adesão dos cristãos novos, dos índios, dos negros e mulatos e, apesar das guerrilhas, expande o domínio holandês no litoral nordestino, do Maranhão até a foz do Rio São Francisco.

Com medidas como a concessão de empréstimos aos senhores de terra, o conde restabelece a produção de açúcar e, até a restauração de Portugal, em 1640, os holandeses não enfrentam grandes problemas no Nordeste brasileiro.

Em 1644, por discordar do governo holandês que precisava de dinheiro e determinou o imediato pagamento dos empréstimos concedidos aos senhores de terra nordestinos, Maurício de Nassau retorna à Europa.

Com a ausência do conde, o domínio holandês no Nordeste é enfraquecido e a 03 de agosto de 1645 acontece a Batalha das Tabocas, o primeiro confronto entre os holandeses e os luso-brasileiros.

Este conflito deu início a expulsão definitiva dos holandeses que aconteceria nove anos mais tarde (ver Batalha dos Guararapes). Enquanto permaneceu no Nordeste brasileiro, Maurício de Nassau conseguira administrar sem problemas a colônia holandesa.

Ele recebia salário milionário, ajuda de custo e ainda ficava com 2% sobre todos os lucros obtidos pela colônia. Daí, sua disposição em realizar obras de urbanização no Recife; estimular a recuperação de engenhos; desenvolver fazendas de gado. Para conquistar simpatia, permitia a liberdade política e de culto.

Em sua equipe, Maurício de Nassau trouxera cientistas que realizaram estudos de medicina, história, meteorologia e astronomia, além de artistas como Albert Eckhout e Franz Post, os primeiros pintores a retratar cenas da vida brasileira.

Um dos fatores que contribuíram para a derrota dos holandeses: enfraquecida pela guerra contra a Inglaterra, em 1652, a Holanda não teve condições de reforçar sua posição no Brasil. No livro "O Negócio do Brasil - Portugal, os Países Baixos e o Nordeste, 1641/1649" , o mestre,  historiador pernambucano Evaldo Cabral de Melo diz que a expulsão dos holandeses não foi resultado de guerras valentes, mas de um acordo pelo qual Portugal pagou 4 milhões de cruzados (equivalentes a 63 toneladas de ouro) para ter o Nordeste brasileiro de volta.

Sob ameaça permanente de novos ataques não só ao Nordeste brasileiro como também a Lisboa, segundo o historiador, Portugal passou 15 anos negociando e em 1669 fechou o negócio. O pagamento da indenização levou quatro décadas, através de prestações anuais.


O LIVRO

Van Dorth - A Saga dos Hereges Continua

 

de Aydano Roriz 

Editora: Ediouro



Número de páginas: 408
Formato: 15,5 x 23 cm



Este livro é indicado para quem leu um magestoso volume escrito por Aydano Roriz que conta a grandiosa reconstituição da Invasão Holandesa a Pernambuco.

Outra primorosa reconstituição histórica, o autor nos coloca numa máquina do tempo rumo a um Brasil diferente: o Brasil holandês. Nos envolve nas tensões políticas, no choque cultural entre protestantes e católicos, nos seus amores escusos, cobiças, invejas e traições. Neste volume, sobressai-se a figura de Van Dorth, “prometido” de uma princesa holandesa, mas que acaba se envolvendo com a esposa do seu mais poderoso aliado em terras brasileiras – e o único que pode salvá-lo do contra-ataque espanhol. Um romance histórico e excepcional!

A Holanda estende ao Brasil sua guerra contra a Coroa espanhola. Com uma frota de 27 navios, invade a pacata provinciana Salvador. El-rei, demora a se decididir, mas acaba despachando para a Bahia uma armada de 66 naus. O cheiro de pólvora está no ar e, em meio à jornada, os portugueses se rebelam contra os espanhóis.

As tensões políticas na Europa do século XVII e a saga de Van Dorth, o galante holandês governador da Companhia das Índias Ocidentais no Brasil, são a linha mestra deste romance com cara de máquina do tempo, no qual Aydano Roriz mostra por que é um dos principais escritores de ficção histórica do Brasil. Levante as âncoras e embarque nessa aventura.

Relançamento

 

 

 

A Guerra dos Hereges

de Aydano Roriz

Editora: Editora Europa






Número de páginas: 400
Formato: 16 cm x 23 cm



O Brasil era colônia de Portugal. Portugal estava sob domínio espanhol, e os holandeses metidos numa guerra de independência contra a Espanha que já durava 50 anos. Por conta dessa guerra, uma vez expulsos da Bahia, cinco anos depois os holandeses voltaram a invadir o Brasil. O objetivo inicial era se apossar de Zuikerland, ou "Terra do Açúcar", como eles chamavam Pernambuco.

A partir daí, fundar uma "Nova Holanda" no Novo Mundo. Olinda, a "capital" de Pernambuco, era uma cidade rica e amuralhada, mas o efetivo inteiro da capitania mal passava de 130 soldados. Ainda assim, o governador Matias de Albuquerque, graças a um antigo segredo da Santa Inquisição, resistia aos invasores.



O AUTOR DAS DUAS OBRAS

Aydano Roriz
(Juazeiro, 6 de junho de 1949 é um editor e escritor brasileiro).Aos 18 anos, seu primeiro emprego foi na Mangal S/A, a usina algodoeira do pai. Na década de 1970, ainda durante a faculdade de economia, montou seu primeiro negócio, uma boate em Salvador. Abandonou a livre iniciativa e fez carreira na Editora Abril, chegando a diretor das revistas Playboy, Quatro Rodas, Cláudia, Nova e Capricho. Saiu da Abril para fundar a Editora Europa em 1986. Em 2011, ao completar 25 Anos, a Editora Europa publicava 13 revistas mensais e 5 bimestrais, além de mais de 300 títulos de livros em diferentes áreas.

Como escritor, seu livro de estreia foi "Os Diamantes Não São Eternos", um trabalho de 12 anos. Publicado pela primeira vez no Brasil em 1998, foi lançado no ano seguinte nos Estados Unidos com o título "Diamonds are Forgiving". Na sequencia, publicou outros livros: O Desejado (2002), O Fundador (2003), O Livro dos Hereges (2004), Van Dorth (2006), Nova Lusitânia (2007) e A Guerra dos Hereges (2010).

Aydano Roriz escreve seus livros de seu apartamento no Funchal, na Ilha da Madeira.



Obras do autor


Os Diamantes não são Eternos (1998 – Brasil; 1999 – EUA; 2008 – Portugal)

O Desejado (2002 - Brasil; 2003 – Portugal)

O Fundador (2003 – Brasil; 2004 – Portugal; 2011 - Revista e Revisada – Brasil)

O Livro dos Hereges (2004 – Brasil; 2006 – Portugal)

Van Dorth (2006 – Brasil; 2007 – Portugal)

Nova Lusitânia (2007 – Portugal; 2008 – Brasil)

A Guerra dos Hereges (2010 – Brasil)



Relançamento


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